recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Posts de outubro \23\UTC 2007

Paulo César Pinheiro

Publicado por everbc em 23/10/2007

Paulo César Pinheiro (Paulo César Francisco Pinheiro), letrista, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 28 de abril de 1949. Morava em Angra dos Reis RJ quando fez seus primeiros versos, e foi nessa cidade que conheceu João de Aquino, seu parceiro nas primeiras musicas. Com ele, compôs Viagem, em 1964. Um ano depois, Baden Powell, primo de João de Aquino, convidou-o para escrever letras para suas músicas.

Em 1968 compôs com Baden Powell o samba Lapinha, que venceu a I Bienal do Samba, da TV Record, de São Paulo SP, no mesmo ano, e foi gravado por Elis Regina em disco Phonogram. Ainda em 1968, fez, com Francis Hime, A grande ausente, defendida por Taiguara no III FMPB, da TV Record, e classificada em sexto lugar, e participou do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, com duas músicas – Sagarana (com João de Aquino), apresentada por Maria Odete, e Anunciação (com Francis Hime), interpretada pelo MPB-4.

Concorreu ao IV FIC, em 1969, com Sermão (com Baden Powell) e, no ano seguinte, fez uma temporada de 15 dias em Paris, França, ao lado de Baden Powell. Em 1970 destacou-se com vários sucessos: Elis Regina gravou três musicas suas e de Baden Powell – Samba do perdão, Quaquaraquaquá e Aviso aos navegantes; e Elizeth Cardoso gravou Refém da solidão (com Baden Powell).

Ainda em 1970, compôs 12 músicas para a trilha sonora da novela O semideus, da TV Globo, fez a trilha sonora para o filme A vingança dos doze, de Marcos Farias, e foi o responsável por roteiros de shows de Baden Powell. Em 1971, E lá se vão meus anéis (com Eduardo Gudin), defendida por Os Originais do Samba, venceu o IV Festival Universitário da Música Popular, da TV Tupi, do Rio de Janeiro.

Participou, em 1972, do VII FIC, com Diálogo (com Baden Powell), música que ganhou festival na Espanha. Compôs musicas com Dori Caymmi para diversos filmes, entre eles Tati, a garota, de Bruno Barreto, em 1973. Compôs a musica da peça A teoria na prática é outra, de Antônio Pedro, apresentada no Teatro Princesa Isabel, no Rio de Janeiro, em 1973.

Em 1974, o MPB-4 gravou Agora é Portela 74 (com Maurício Tapajós). Fez ainda, nesse ano, a versão do musical Pippin, montado no Teatro Manchete, no Rio de Janeiro, e gravou seu primeiro LP, pela Odeon, apresentando-se como cantor.

Em 1975-1976 participou com Márcia e Eduardo Gudin do show O importante é que nossa emoção sobreviva, levado no Teatro Oficina, que resultou num LP gravado ao vivo. Casou com a cantora mineira Clara Nunes em 1975. Compôs para a trilha sonora do filme A Batalha dos Guararapes, de Paulo Thiago (1978). Com Dori Caymmi, compôs Pedrinho e Jabuticaba, para a trilha do programa Sítio do Pica-pau Amarelo, da TV Globo. Fez a trilha sonora do programa Ra-tim-bum, da TV Cultura, compondo cinco músicas em parceria com Edu Lobo. Tem dois livros de poemas editados: Canto brasileiro (1976) e Viola morena (1982).

Alguns dos últimos CDs que foram lançados com letras do compositor são: Parceria, 1994, Velas, gravado ao vivo do show com João Nogueira, com 12 das parcerias dos dois; Aboio, 1995, Saci, CD do violonista e compositor Sérgio Santos, com 13 toadas, choros e sambas em parceria com este; Tudo o que mais nos uniu, 1996, Velas, CD gravado ao vivo do show com Eduardo Gudin e Márcia, no Sesc Pompéia de São Paulo, em comemoração aos 20 anos do outro show da trinca; O som sagrado de Wilson das Neves, 1997, CID, estréia como intérprete do baterista Wilson, com 14 músicas inéditas, das quais 13 são parcerias de ambos. Escreveu mais de 1.300 letras, tendo mais de 700 sido gravadas ate 1997.

Algumas letras e músicas cifradas:

À flor da pele, Acalanto, Áfrico, Além do espelho, Anabela, Anuário, Arrebentação, As forças da natureza, Auto de São Jorge Guerreiro, Bafo de boca, Banho de manjericão, Bares da cidade, Brasil precisa balançar, Cabrochinha, Canto brasileiro, Canto das três raças, Cão sem dono, Cargueiro, Caso, Chico Preto, Chorando pela natureza, Chorei, Choro livre, Consideração,

Deixa teu mal, Desenredo, Desperdício, Dos navegantes, E lá se vão meus anéis, E lá vou eu, Espelho, Essa moça, Estrela da terra, Eu, hein, Rosa!, Flor ardente, Flor da Bahia, Galanga Chico-Rei, Ganga-Zumbi, Gongá, Homenagem à Velha Guarda, História antiga, Jongo de João-Congo, Juparanã, Justiça, Lapinha, Kêkêrêkê, , Leão do norte, Lenda praieira,

Maior é Deus, Mãos vazias, Mar corrente, Minha missão, Mordaça, Na volta que o mundo dá, Nagô, Não demore, Não vim pra ficar, Nove luas, Novo novelo, O cavalo de São Jorge, O cristal e o marfim, O poder da criação, Olorum, Oluô, Outro quilombo, Pajé, Pano pra manga, Passarinhadeira, Perdão, Pesadelo, Portela na avenida, Primeira mão,

Quilombola, Quitanda das Iaôs, Rainha do mar, Recado ao poeta, Refém da solidão, Rendas de prata, Rio, samba, amor e tradição, Saci, Sagarana, Samba de roda na beira do mar, Santo dia, Saruê, Saudades da Guanabara, Senhorinha, Sincretismo, Solidão, Submerso, Súplica, Última forma, Um ser de luz, Velhice da porta-bandeira, Velho casarão, Veneno, Vento bravo, Viagem, Violão.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha

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Saruê

Publicado por everbc em 23/10/2007

Saruê – Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro

‘Nhô tem gana no gongolô da Ialê,
E na mucufa quer capiangar atrás do bangüê.
‘Nhora tem fogo de adô no Alabê
e rola com nêgo-Angola no solo de massapé.
‘Nhora faz tudo que ‘Nhô não quer fazer,
Que nem a sacuê,
Que nem faz com a Ialê, ‘Nhô.
‘Nhora partiu pra N’gô,
‘Nhô no mesmo caminho.
A Gêge ficou com ‘Nhô
Com ‘Nhora seu Angolinho
‘Nhô quis tanto que embarrigou a Ialê
E na senzala um muana pulou no chão de sapê.
‘Nhora quis tanto que embuchou do Alabê,
Na cama da Casa-Grande pulou mais um benguelê.
‘Nhora pôs no colo de ‘Nhô seu saruê,
Que nem com seu erê
Também fez a Ialê com ‘Nhô.
Nasceu filho de ‘Nhô,
‘Nhora pariu juntinho.
De ‘Nhora quase alourou,
De ‘Nhô veio carapinho

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Saudades da Guanabara

Publicado por everbc em 23/10/2007

Saudades da Guanabara – Moacyr Luz, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro

Eu sei
Que o meu peito é lona armada
Nostalgia não paga entrada
Circo vive é de ilusão (eu sei…)
Chorei
Com saudades da Guanabara
Refulgindo de estrelas claras
Longe dessa devastação (…e então)
Armei
Pic-nic na Mesa do Imperador
E na Vista Chinesa solucei de dor
Pelos crimes que rolam contra a liberdade
Reguei
O Salgueiro pra muda pegar outro alento
Plantei novos brotos no Engenho de Dentro
Pra alma não se atrofiar (Brasil)
Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro
Três por quatro da foto e o teu corpo inteiro
Precisa se regenerar
Eu sei
Que a cidade hoje está mudada
Santa Cruz, Zona Sul, Baixada
Vala negra no coração
Chorei
Com saudades da Guanabara
Da Lagoa de águas claras
Fui tomado de compaixão (…e então)
Passei
Pelas praias da Ilha do Governador
E subi São Conrado até o Redentor
Lá no morro Encantado eu pedi piedade
Plantei
Ramos de Laranjeiras foi meu juramento
No Flamengo, Catete, na Lapa e no Centro

Pois é pra gente respirar (Brasil)
Brasil
Tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar

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