É em 1937 que Orlando Silva Orlando Silva se impõe como cantor, igualando-se aos maiores rivais. Para isso, concorre decisivamente sua gravação de “Lábios que Beijei”, valsa de enorme sucesso num ano pródigo no gênero.
O disco que tinha na outra face o samba Um juramento falso, a composição jamais encontrou outro intérprete tão perfeito quanto Orlando, então com 22 anos. É tamanha sua integração na história-ação, que se poderia simbolicamente considerá-lo parceiro na autoria de Cascata e Azevedo. Aliás, essa dupla deve boa parte de seu êxito a que lançou várias de suas músicas. O disco inicial de “Lábios que Beijei” com arranjo de Radamés Gnattali, destacando o naipe de cordas, movendo esse tipo de orquestração, que se tornaria a partir de então obrigatória na gravação do repertório romântico brasileiro.

Lábios que beijei (valsa) – 1937 – J. Cascata e Leonel Azevedo

  D           G7          D               B7Lábios que beijei   /      Mãos que afaguei    Em       A7      D      A7Numa noite de luar, assim,      D           E7              A                Gb7O mar na solidão bramia  /   E o vento a soluçar, pediaBm         E7          A7Que fosses sincera para mim.
   D     G7        D                   B7Nada tu ouviste    /     E logo que partiste      Em          A7       D7Para os braços de outro amor.G          Ab0               D               B7Eu fiquei chorando    /    Minha mágoa cantando   Em          A7        D      Gb7Sou estátua perenal da dor.
 Bm          B7                  EmPasso os dias soluçando com meu pinho                       GbmCarpindo a minha dor, sozinho                          BmSem esperanças de vê-la jamais
           Bm6             GbmDeus tem compaixão deste infeliz               Db7Porque sofrer assim                     Em      Gb7Compadei-vos dos meus ais.Bm                        EmTua imagem permanece imaculada              Gb7                           BmEm minha retina cansada  /  De chorar por teu amor.
  Em                     BmLábios que beijei   /   Mãos que afaguei  G7       Gb7               BmVolta! dá lenitivo  à minha dor.

Um juramento falso (samba) – 1937 – J. Cascata e Leonel Azevedoclique para ouvir amostra da música

Tom: E

            E7     A7                         DUm juramento falso         /   Faz a gente sofrer         Db7                               GbmUm sorriso fingido    /  Dos lábios d’uma mulher      G          Gm           D                B7Quando se tem amizade  /  Sofre-se dor de verdade       E7               A7               D     D/Gb   F°Sempre com os olhos fitos   /  Na felicidade.      Em              A7                     DE duro, é triste, é cruel  /  A dor de uma saudade Gb7                                   B7Quando se teve nas mãos  /   A felicidade  (Bb7)            (Bb7)                       DFoi um sonho que feneceu  /  Foi mais outra quimera       B7     E7                               Que se desfez     /  Eu já fiz um juramento                 A7E não amo outra vez.Em                    A7               DEu que sempre acreditei  /  Na possibilidade      Gb7                                 B7De ver passar este amor  /   Para a eternidade(Bb7)                (Bb7)                     DQuanto fui tolo, confesso  /  Isso é conto de fada      E7                                                A7É tapiação   /  O amor nunca existiu  / É interesse é ilusão

Apanhei um resfriado (samba-choro) – 1937 – Leonel Azevedo e Sá Róris

Intro: G Eb° D Bm Em A7 D

 G       B7             E7  Pelo costume de beber gelado           A7                      Dapanhei um resfriado que foi um horror   Bm                   F#m         Porém com medo de fazer despesa,         Db7                F#m              A7isto é franqueza, não fui ao doutor pra me curar       G       B7         E7E tudo quanto foram me ensinando,                       F#eu fui tomando e cada vez piorG              C°       D      E quem quiser que siga o tratamentoBm               E7        A7      Dpois se não morrer da cura ficará melhor    F#7                          BmTomei de tudo, escalda-pé, chá de limão,                 F#7até xarope de alcatrão           B7E nada me faltou                 Bm   Tive dieta só de caldo de galinha,                 Db7            F#7e o galinheiro da vizinha se evaporou                F#7           BmE tive febre, tive tosse, dor no peito,                  F#7até fiquei daquele jeito        B7Sem poder falar

Em           Eb°           Bm   Mandei chamar, então, um especialista,   Em                 Bmque pediu dinheiro à vista      Db7     F#7 B7    Bb7 A7 DPrá poder me visitar

(A)

  F#7                            BmNo bangalô, porém, choveu a noite inteira,                  F#7e eu debaixo da goteira  B7Sem ninguém saberEm                           Bm A ventania arrancou zinco do telhado,                 Db7                   F#7e me deixou todo molhado, quase pra morrer      Bm             F#7         Bm   Sá Guilhermina quis me dar um lenitivo,                     F#7e então me fez um curativoB7E eu fiquei jururu  Em          Eb°              Bm     E foi chamado, finalmente, um sacerdote,         Em           F#7prá me encomendar um loteBm   Db7     F#7    B7     Bb7 A7 DDe dez palmos no Caju

(A)Instrumental: G  B7  E7  A7  D  Bm  F#m Db7  F#m A7 D  G  B7  E7  A7  F#  G C° D  Bm  E7  A7  D F#7  Bm  F#7  B7  Em Bm  Db7  F#7  Bm  F#7  Bm  F#7  B7Em  Eb°  Bm  Em  F#7  Db7  F#7  B7 Bb7  A7 D(A)Final: G Eb° D Bm Em A7 D

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