“Jura” é o maior sucesso de
Sinhô. Bem representativo da última e melhor fase do compositor, mostra algumas características marcantes de seu estilo, como a repetição de palavras no início do estribilho- “Jura, jura, jura…” -, com orações que trausbordam de um verso para outro, e o decantado pernosticismo, presente, mais uma vez, na atrevida imagem do “beijo puro da catedral do amor”. Tudo isso sobre um fraseado musical simples, original, ao mesmo tempo alegre e sentimental, entrecortado de síncopes, uma herança do maxixe.
Lançado por
Araci Cortes na revista Microlândia, reprisado em Miss Brasil, e gravado simultâneamente por Araci e
Mário Reis, em fins de 1928, “Jura” foi uma das músicas mais cantadas no Brasíl nos anos seguintes. O jornalista Jota Efegê (João Ferreira Gomes), que assistiu a estréia de “Jura” no teatro, relembrou o fato em interessante artigo publicado em O Jornal, muitos anos depois. Conta Efegê que a platéia exigiu a repetição do número várias vezes, tendo Sinhô subido ao palco onde, abraçado a Araci, recebeu do público verdadeira consagração, Detalhe pitoresco ressaltado pelo jornalista foi a maneira como o espanhol Antônio Rada, maestro do espetáculo, “conduzia a orquestra, dançando e fazendo vibrar uma espécie de chocalho, comunicando aos músicos seu allegro molto vivo”.
Jura – 1928 – José Barbosa da Silva (Sinhô)—-
A6 —Bm6 –E7(9)——- A6 —————-E/B
Jura, jura, jura pelo Senhor / Jura pela imagem
—————B7 ——–E7/B————- E7
Da Santa Cruz do Redentor / Pra ter valor a tua…
A6—- Bm6–E7(9) ——-A6— A7
Jura, jura, jura de coração / Para que um dia
—————-D ——-Dm7 A —————E7——— A
Eu possa dar-te o amor / —–Sem mais pensar na ilusão
———–E7———– A ————Bm7—— E7——— A
Daí então dar-te eu irei / O beijo puro da catedral do amor
——————-E7—————— A
Dos sonhos meus / Bem junto aos teus
————Bm7———- E7—— A
Para fugirmos das aflições da dor