recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Archive for 8 de abril de 2006

>Emilinha Borba

Posted by everbc em 08/04/2006

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Emilinha Borba (Emília Savana da Silva Borba), cantora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 31/8/1923 e faleceu em 03/10/2005. Passou grande parte da infância em Mangueira, mudando-se depois com os pais e seis irmãos para o bairro de Jacarepaguá. Já então gostava de cantar, divertindo os colegas com suas imitações de Carmen Miranda. Passou a freqüentar programas de calouros, ganhando seu primeiro prêmio, com 14 anos, na Hora Juvenil, da Rádio Cruzeiro do Sul. Começou, a partir daí, a fazer parte do coro das gravações da Columbia. Ainda nesse programa, formou o duo As Moreninhas, com Bidu Reis, que durou cerca de um ano e meio.

Para o Carnaval de 1939, fez sua primeira gravação, na Columbia, a marcha Pirulito (João de Barro e Alberto Ribeiro), ao lado de Nilton Paz, mas seu nome não apareceu no selo do disco. Também em 1939, através de Carmen Miranda, conseguiu ser apresentada a Joaquim Rolas, proprietário do Cassino da Urca, que a contratou. Na Columbia até 1940, gravou mais quatro discos com quatro músicas, com destaque para os sambas O cachorro da lourinha e Meu mulato vai ao morro (ambos de Gomes Filho e Juraci Araújo). Ainda era chamada de Emília.

Em 1940 foi para a Rádio Mayrink Veiga. Nesse ano participou do filme Vamos cantar, de Leo Marten. Em 1941-1942, gravou dois discos na Odeon, como Emilinha, voltando em 1942 para a Columbia, já chamada Continental. Saiu do Cassino da Urca em agosto de 1943 e foi logo contratada pelo Cassino Atlântico, passando também a trabalhar, por um período de seis meses, na Rádio Nacional.

Em agosto de 1944 retornou ao elenco da Rádio Nacional, onde permaneceria por 27 anos ininterruptos, fase áurea dessa emissora e da carreira da cantora. Foi o primeiro grande cartaz dos programas de auditório lançados pela Rádio Nacional, a partir de 1945, e sua popularidade esteve diretamente ligada ao programa de César de Alencar, transmitido para todo o país.

Em 1947 fez enorme sucesso com as rumbas Escandalosa (Djalma Esteves e Moacir Silva), Rumba de Jacarepaguá (Haroldo Barbosa), Tico-tico na rumba (Haroldo Barbosa e Peterpan) e o samba Se queres saber (Peterpan), gravados na Continental. Em 1948, seus destaques foram Já é de madrugada (Peterpan e Antônio Almeida), Telefonista (Peterpan e Augusto Monteiro), Esperar, por quê? (José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro) e Quem quiser ver vá lá (Peterpan e René Bittencourt); para o Carnaval de 1949, gravou um de seus maiores sucessos, Chiquita Bacana (João de Barro e Alberto Ribeiro), além de Porta-bandeira (Nássara e Roberto Martins) e Tem marujo no samba (João de Barro), mas perdeu para a cantora Marlene o título de Rainha do Rádio daquele ano, gerando atritos entre os respectivos fãs-clubes. As duas, no entanto, surpreenderam o público no ano seguinte, gravando juntas, em dueto, Eu já vi tudo (Peterpan e Amadeu Veloso), Casca de arroz (Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti) e A bandinha do Irajá (Murilo Caldas).

Emilinha quando eleita a

Foto: Emilinha Borba quando eleita a “Rainha do Rádio” em 1953 (na foto com Mary Gonçalves, rainha de 1952).

No seu repertório de 1950, destacaram-se os baiões Baião de dois e Paraíba (ambos de Luiz Gonzaga e Humberto teixeira) e Tomara que chova (Paquito e Romeu Gentil), gravado para o Carnaval seguinte e que se transformou num dos marcos de sua carreira.

Participou de 34 filmes, destacando-se, nesse período: Poeira de estrelas (Moacir Fenelon, 1948), Estou aí (José Cajado Filho, 1949), Aviso aos navegantes (Watson Macedo, 1950) e Barnabé, tu és meu (José Carlos Burle,1952).

Durante a década de 1960 continuou a marcar sua presença nos Carnavais, lançando músicas bem populares como Pó-de-mico (1963), de Renato Araújo, Dora Lopes, Arildo de Sousa e Nilo Viana e Mulata iê-iê-iê (1965), de João Roberto Kelly.

De 1939 a 1964, gravou em 78 rotações cerca de 117 discos com 216 músicas. Na medida em que seu gênero musical – samba, marcha, rumba – foi cedendo lugar à música jovem, ela foi desaparecendo do cenário artístico até encerrar praticamente sua carreira em 1968, quando, operada de um edema nas cordas vocais, não conseguiu recuperar o timbre de voz. Em 20 anos de carreira, desde 1945, tornou-se, juntamente com sua “rival” Marlene, um dos primeiros produtos bem-sucedidos da eficiente máquina de criação e divulgação de ídolos, montada no rádio em torno dos programas de auditório, que se estendeu ao cinema através das chanchadas.

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>Dick Farney

Posted by everbc em 08/04/2006

>Dick Farney

Dick Farney (Farnésio Dutra e Silva), cantor, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ (14/11/1921) e faleceu em São Paulo SP (4/8/1987). Ainda criança, iniciou-se no piano com o pai, aprendendo música erudita, e de sua mãe recebeu as primeiras noções de canto.

Aos 14 anos apresentou-se em rádio, no programa Picolino, de Barbosa Júnior, interpretando ao piano a Dança ritual do fogo, de le Manuel de Falla. Mais tarde interessou-se por música norte-americana e ingressou, como pianista, no conjunto Swing Maníacos, cujo baterista era seu irmão Cyll Farney. Com esse grupo, acompanhou Edu da Gaita na gravação de Canção da Índia de Nikolay Rimsky-Korsakov.

Em 1937 apresentou-se pela primeira vez, como cantor, no programa Hora Juvenil, da Rádio Cruzeiro do Sul, no Rio de Janeiro, interpretando Deep Purple (David Rose). No ano seguinte, César Ladeira lançou-o na Rádio Mayrink Veiga, na qual cantava músicas norte-americanas, acompanhando-se ao piano, em seu próprio programa: Dick Farney, sua Voz e seu Piano.

De 1941 a 1944, apresentou-se no Cassino da Urca, como integrante da Orquestra de Carlos Machado. Em 1944 passou para a orquestra de Ferreira Filho, com a qual fez, na Continental, a primeira gravação como cantor, interpretando o fox The Music Stopped (Rodgers e Hart), sucesso da trilha sonora do filme A !ua ao seu alcance (Higher and Higher, dirigido por Tim Whelan). Durante esse ano, e também pela Continental, foi o crooner de mais três discos de música norte-americana.

No início de 1946, assinou contrato como cantor com a Continental, que fançou sua primeira gravação de grande sucesso, o samba-canção Copacabana (João de Barro e Alberto Ribeiro), em um 78 rpm que trazia do lado B a canção Barqueiro do São Francisco (Alcir Pires Vermelho e Alberto Ribeiro). Apresentando-se no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, conheceu o pianista Eddie Duchin e o arranjador Bill Hitchcock; do encontro surgiu o convite para ir aos E.U.A. Ainda em 1946, viajou para New York, onde se apresentou com Nat King Cole, David Brubeck e Bill Evans, assinando contratos para voltar no ano seguinte.

Após curta permanência no Brasil, em fevereiro de 1947 voltou aos E.U.A., atuando durante 56 semanas em show dos cigarros Philip Morris, na rádio NBC, além de se apresentar em Chicago, San Francisco e Hollywood. Lançou também algumas músicas norte-americanas, pela Majestic Records, como a primeira versão de Tenderly (Walter Gross). Enquanto estava fora, a Continental lançou outras músicas que havia gravado antes de viajar: o grande êxito Marina (Dorival Caymmi), em 1947, e Um cantinho e você (José Maria de Abreu e Jair Amorim), em 1948.

Retornou ao Brasil no final de 1948 e apresentou-se com grande sucesso na boate Vogue, do Rio de Janeiro. No ano seguinte, gravou Nick 8 (Garoto e José Vasconcelos) e excursionou pela Argentina e Uruguai. Trabalhou no filme Somos dois (1950), de Milton Rodrigues, e, em 1951, lançou Uma loura (Hervé Cordovil). No ano seguinte gravou Alguém como tu (José Maria de Abreu e Jair Amorim). Participou dos filmes Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle, e Perdidos de amor (1953), de Eurides Ramos.

Ainda em 1953, gravou Sem esse céu e Ranchinho de palha (ambas de Luiz Bonfá). Em 1954 organizou o Dick Farney e seu Conjunto, em que tocava piano, e gravou na Continental o choro João Sebastião Bach (Dick Farney e Nestor Campos, guitarrista do conjunto); apresentou-se também no Copacabana Palace Hotel. No mesmo ano, gravou na Continental, em dupla com Lúcio Alves, Tereza da praia (Tom Jobim e Billy Blanco), que se tornou um dos maiores sucessos do momento. Ainda em 1954, participou da gravação do LP de dez polegadas Sinfonia do Rio de Janeiro (Tom Jobim e Billy Blanco).

Em 1956 organizou um quarteto de jazz, em que era o pianista, ao lado de Rubinho (bateria), Xu Viana (contrabaixo) e Casé (sax-alto). O grupo teve grande êxito, apresentando-se no teatro Municipal, do Rio de Janeiro, e gravando um LP na RGE. No início de 1957, retornou aos E.U.A., atuando durante um ano em New York, no Waldorf Astoria Hotel e no Shell Burn Hotel. Esteve também em Cuba, na República Dominicana, em Porto Rico e nas ilhas do Caribe.

De volta ao Brasil, em 1959 fez o Dick Farney Show, na TV Record, de São Paulo, e atuou no bar do Hotel Claridge, também na capital paulista. Ainda nesse ano, abriu a boate Farney’s, na praça Roosevelt, em São Paulo. Em 1961 fechou a boate e organizou a Dick Farney e sua Orquestra, para tocar em bailes, dirigindo-a até 1965. Em 1964 lançou dois LPs pela RGE e, no ano seguinte, mais dois pela Elenco, sendo um deles junto com Norma Benguel. Ainda em 1965, participou da inauguração da TV Globo, do Rio de Janeiro, na qual, durante seis meses, ao lado de Betty Faria, apresentou o programa Dick e Betty 17.

Em 1968 apresentou-se em shows de televisão, em São Paulo e, em 1969, abriu a Farney’s Inn, boate localizada na Rua Augusta. Atuou na boate Flag em 1971, ano em que formou um trio com Sabá (Sebastião Oliveira da Paz) no contrabaixo e Toninho (Antônio Pinheiro Filho) na bateria. Em 1972 assinou contrato com a Odeon e, no ano seguinte, iniciou temporada na boate Chez Régine, no Rio de Janeiro, que se estendeu por quase seis anos.

Em 1973 lançou pela EMI o LP Dick Farney. Em 1979, a RGE lançou, na série Retrospecto, a coletânea Dick Farney: o cantor, o pianista e o diretor de orquestra. No ano seguinte, passou a apresentar-se no restaurante Antonio’s, no Rio de Janeiro. Em 1981, já afastado das casas noturnas, lançou o LP Dick Farney – Noite, pela etiqueta Som da Gente. Dois anos depois, pela mesma gravadora, saiu o LP Feliz de amor.

Algumas cifras e letras:

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>David Nasser

Posted by everbc em 08/04/2006

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David Nasser, letrista, jornalista e escritor, nasceu em Jaú SP, em 1/1/1917 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 10/12/1980. Passou a infância em São Lourenço MG, trabalhando como charreteiro e entregador de pão para pagar os estudos.
Aos 13 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, passando a viver de sua féria como vendedor ambulante. Pouco depois começou a trabalhar em jornais. Aos 18 anos fez a primeira letra para um samba: Chorei quando o dia clareou (com Nelson Teixeira) gravado em 1939 por Araci de Almeida.

Plantonista do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, entre 1935 e 1943, freqüentava muito a noite carioca, especialmente o Café Nice, ponto de encontro de compositores. Nessa época conheceu Alcir Pires Vermelho, com quem mais tarde faria várias músicas.

Em 1939 Carmen Miranda lançou pela Odeon o partido-alto Candeeiro (com Kid Pepe). No ano seguinte fez sucesso com Canta Brasil (com Alcir Pires Vermelho), gravado por Francisco Alves. A batucada Nega do cabelo duro (com Rubens Soares), considerada um dos clássicos da música popular brasileira, foi gravada em discos Columbia pelos Anjos do Inferno, para a Carnaval de 1942.

Durante toda a década de 1940 e parte da de 1950, destacou-se praticamente a cada ano com uma música de meio de ano ou de Carnaval: seus destaques em 1942 foram a marcha Alô, alô, América (com Haroldo Lobo) e o bolero Esmagando rosas (com Alcir Pires Vermelho), ambos gravados na Odeon por Francisco Alves.

Em 1943 compôs várias músicas com Custódio Mesquita, entre as quais A valsa de Maria; no mesmo ano o conjunto Quatro Ases e Um Curinga lançou a marcha Alô, Tio Sam (com Haroldo Lobo). Dois anos depois compôs com Roberto Martins o fox Tudo em vão. Em 1948 Francisco Alves gravou na Odeon sua marcha Rasguei meu pierrô. No ano seguinte Nelson Gonçalves gravou pela RCA-Victor Serpentina (com Haroldo Lobo) e Dircinha Batista lançou pela Odeon A coroa do rei, que foi uma das músicas mais cantadas no Carnaval de 1950.

Em 1952 Francisco Alves lançou Confete (com Jota Júnior), marcha que teve inúmeras regravações. Em fins da década de 1940 e durante a de 50 tornou-se, ao lado de Jean Manzon, um dos mais bem sucedidos repórteres e articulistas políticos na revista O Cruzeiro. Marcou ainda sua presença como compositor com Normalista (com Benedito Lacerda), Hoje quem paga sou eu e Carlos Gardel (ambos com Herivelto Martins), todos gravados por Nelson Gonçalves.

Foram seus principais parceiros Alcir Pires Vermelho, Custódio Mesquita, Francisco Alves, Roberto Martins, Nelson Gonçalves, Herivelto Martins, Armando Cavalcanti, Klécius Caldas e Rubens Soares, entre outros. Publicou vários livros entre os quais, no campo da música: A vida trepidante de Carmen Miranda, Rio de Janeiro, 1966; Chico Viola, Rio de Janeiro, 1966; e Parceiro da Glória, Rio de Janeiro, 1983.

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