recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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>Disparada

Posted by everbc em 24/07/2007

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Geraldo Vandré

Em 1966, o compositor Geraldo Vandré participou vitoriosamente de três grandes festivais musicais promovidos pela televisão: em junho, foi 1° lugar na TV Excelsior, com “Porta Estandarte” (parceria de Fernando Lona); em outubro, tirou o 10º lugar na TV Record, com “Disparada” (parceria de Téo de Barros); e ainda em outubro, ficou em 2° lugar na TV Rio (1° Festival Internacional da Canção), com “O Cavaleiro” (parceria de Tuca).

Dessas três composições, a de maior repercussão seria inegavelmente “Disparada”, a mais vigorosa canção de protesto surgida até então, um verdadeiro cântico revolucionário. Musicado por Téo sobre uma versalhada que Vandré havia escrito durante uma viagem, “Disparada” é uma moda-de-viola com sotaque nordestino. “A intenção era compor uma moda-de-viola baseada no folclore da região Centro-Sul, porém nossas raízes se infiltraram no processo e resultou uma catira de chapéu de couro”, esclarece Téo na contracapa de seu primeiro elepê.
Para apresentar “Disparada”, os autores escolheram Jair Rodrigues, então no auge da popularidade, entregando o acompanhamento ao Trio Novo — Téo (viola), Heraldo do Monte (violão) e Airto Moreira (percussão) — reforçado pelo Trio Marayá. O Trio Novo atuou na eliminatória e na gravação de estúdio, mas não pôde participar da final (por já ter compromisso agendado para a data), sendo os seus músicos substituídos por Aires (viola), Gianulo (violão) e Manini (percussão).
Mas nas duas fases o resultado foi excelente, com a canção sendo ruidosamente aclamada pela facção mais politizada da platéia — principalmente em trechos como “Mas o mundo foi rodando / nas patas do meu cavalo / e já que um dia montei / agora sou cavaleiro / laço firme, braço forte / de um reino que não tem rei…” — que rivalizava em número e entusiasmo com os partidários de “A Banda”. Em vista disso, embora “A Banda” tenha ganho pelos votos dos jurados, a direção da Record resolveu considerar as duas concorrentes empatadas na primeira colocação, a fim de evitar um confronto entre os torcedores.
Uma nota pitoresca na apresentação de “Disparada” foi a utilização de uma queixada de burro como instrumento de percussão. A novidade, descoberta por Airto Moreira numa loja em Santo André, emprestou maior rusticidade ao acompanhamento, além de evocar uma visão forte da seca (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).


Disparada – (moda-de-viola, 1966), Geraldo Vandré e Theo de Barros

    D             G          D                  G
Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar
C Bm C Am D G
Eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão
B7 Em C Am D G
Eu venho lá do sertão e posso não lhe agradar
D G D G
Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
C Bm C Am D G
E a morte, o destino tudo, a morte o destino tudo
B7 Em C Am D G
Estava fora de lugar, eu vivo pra consertar
G7 C A7 D
Na boiada já fui boi, mas um dia me montei
B7 Em D G
Não por um motivo meu ou de com quem comigo houvesse
B7 Em B7 C
Que qualquer querer tivesse porém por necessidade
Am D G C Am D G
Do dono de uma boiada cujo vaqueiro morreu
D G D G
Boiadeiro muito tempo, laço firme, braço forte
C Bm C Am D G
Muito gado, muita gente pela vida segurei
B7 Em C Am D G
Seguia como num sonho que boiadeiro era um rei
D G D G
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
C G Am D G
E nos sonhos que fui sonhando as visões se clareando
B7 Em C Am D G
As visões se clareando, até que um dia acordei
D G D G
Então não pude seguir, valente em lugar tenente
C G Am D G
E o dono de gado e gente, porque gado a gente marca
B7 Em C Am D G
Tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente
D G D G
Se você não concordar, não posso me desculpar
C Bm Am D G
Não canto pra enganar, vou pegar minha viola
B7 Em C Am D G
Vou deixar você de lado, vou cantar noutro lugar
G7 C A7 D
Na boiada já fui boi, boiadeiro já fui rei
B7 Em C Am D G
Não por mim nem por ninguém que junto comigo houvesse
B7 C B7 C
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
B7 C Am D G
Por qualquer coisa de seu querer ir mais longe que eu
D G D G
Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
C Bm C G
E já que um dia montei agora sou cavaleiro
B7 Em C Am D G
Laço firme, braço forte de um reino que não tem rei

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