recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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O teu cabelo não nega

Posted by everbc em 13/08/2007

A marchinha carnavalesca já existia desde a década de 1920, com características definidas por seus sistematizadores. O prestígio do gênero, porém, somente se consolidou a partir de 1932, com o lançamento de “O Teu Cabelo Não Nega”, uma das maiores marchas de todos os tempos. A história de “O Teu Cabelo Não Nega” é curiosa. Em sua forma original – um frevo intitulado “Mulata”, dos irmãos pernambucanos Raul e João Valença -, a composição foi oferecida à gravadora Victor para eventual aproveitamento em disco.

Aprovando em parte a melodia, mas achando que a letra tinha um teor excessivamente regional, a direção da gravadora encarregou, então, Lamartine Babo de adaptar “Mulata” ao gosto carioca. Especialista na arte de melhorar canções alheias, ele logo pôs mãos à obra, transformando o frevo na vitoriosa marchinha.

Conforme análise do maestro Roberto Gnattali, que comparou as partituras, o trabalho de Lamartine Babo pode ser resumido no seguinte: “Na primeira parte a letra é a mesma, sendo as notas quase todas iguais, salvo as quatro últimas do verso final que Lamartine, muito sabidamente, ao invés de descer, como no original, subiu, encerrando a estrofe para cima. O ritmo é semelhante, mas o adaptador lhe deu mais balanço, através de antecipações rítmicas, quebrando a quadratura do original. A harmonia é idêntica, estando as melodias construídas com apenas dois acordes: tônica e dominante.

Na segunda parte, letra e música são diferentes, com exceção de cinco notas do 9° para o 10° compasso (início da segunda frase musical) que Lamartine aproveitou. Aliás, é o melhor momento da música dos Valença nesta parte (mulata, mulatinha meu amor..), sendo a do Lamartine toda boa… A harmonia é praticamente a mesma (pelo menos nos pontos chave, nas cadências). As introduções são completamente diferentes”.

Como se vê, Lamartine aproveitou o que tinha de aproveitar – como o excelente estribilho -, substituindo o que não prestava. Por exemplo, não há termo de comparação entre o humor pobre dos versos desprezados (“Tu nunca morre de fome / que os home / te dá sapato de sarto / bem arto / pra tu abalançá o gererê…”) e a letra de Lamartine (“Quem te inventou / meu pancadão / teve uma consagração / a lua te invejando fez careta / porque mulata tu não és deste planeta…”). “Pancadão” e “não é do planeta” eram gírias da época, significando, respectivamente, “mulherão” e “pessoa ou coisa excepcionalmente valiosa”.

Concluída a marchinha, o compositor ofereceu-a à dupla Jonjoca e Castro Barbosa, que gravava na Victor. A propósito, conta João de Freitas, o Jonjoca: “‘O Teu Cabelo Não Nega’ nos foi mostrada por Lamartine num encontro, casual na Cinelândia. Achamos uma beleza. Então ele disse: ‘É de vocês podem gravá-la!’ Dias depois, como íamos gravar também o ‘Bandonô’, de minha autoria, ocorreu-me a infeliz idéia de propor: ‘Ô Castro, vamos gravar essas músicas individualmente. Você fica com uma e eu com a outra’. Quanto à escolha, decidimos num cara ou coroa. Deu cara e eu fiquei com `Bandonô’…”.

Quem também se interessou pelo “O Teu Cabelo Não Nega” foi Almirante. Depois de conhecer a marcha através do cantor Minona Carneiro, ele chegou a pedir à direção da Victor para gravá-la. Mas era tarde, o disco já fora gravado no dia 21 de dezembro de 1931 por Castro Barbosa, acompanhado pelo Grupo da Guarda Velha, na ocasião composto de piano, dois saxofones, trompete, banjo, baixo, prato, cabaça, omelê, tantã e coro de seis vozes masculinas e uma feminina. O arranjo e a direção musical eram de Pixinguinha. As primeiras tiragens do disco omitiram, por culpa da gravadora, a co-autoria dos Irmãos Valença na composição. O fato gerou uma questão judicial, com repercussão na imprensa, que acabou por fazer valer os direitos dos reclamantes.

O Teu Cabelo Não Nega – 1932clique para ouvir amostra da música

– Lamartine Babo e Irmãos Valença


E7 A

O teu cabelo não nega mulata

E7 A

Porque és mulata na cor...

E7 A

Mas como a cor não pega mulata

E7 A

Mulata eu quero o teu amor

A B7

Tens um sabor / Bem do Brasil

E7 A

Tens a alma cor de anil

A7 D B7

Mulata, mulatinha, meu amor / Fui nomeado

E7

Teu tenente interventor

ESTRIBILHO

A B7

Quem te inventou / Meu pancadão

E7 A

Teve uma consagração.....

A7 D

A lua te invejando fez careta

B7 E7

Porque mulata, tu não és deste planeta

ESTRIBILHO

A B7

Quando meu bem / Vieste à terra

E7 A

Portugal declarou guerra

A7 D

A concorrência então foi colossal

B7 E7

Vasco da Gama contra o batalhão naval

ESTRIBILHO




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