recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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No tabuleiro da baiana

Posted by everbc em 04/09/2007

“No Tabuleiro da Baiana” é um dos maiores sucessos de Ary Barroso Ary Barroso nos anos trinta. Sucesso, aliás, que o surpreendeu, conforme confessou à revista Carioca, em 23.10.37: “‘No Tabuleiro da Baiana’ foi a primeira música que vendi, tão descrente eu estava do seu mérito. Foi-me encomendada por Jardel Jercolis, que pretendia incluí-la em uma das revistas de sua companhia. A música foi mais ‘fabricada’ que inspirada; produzi-a mais ou menos à força e acabei compondo-a nos moldes de um batuque feito por mim há vários anos (o samba ‘Batuque’, gravado por Sílvio Caldas e Elisa Coelho em 1931)”.
Mas, embora assim classificada, “No Tabuleiro da Baiana” é uma excelente composição, bem ao estilo Ary Barroso, já mostrando várias daquelas inovações que ele começava a incorporar ao samba. Sua introdução instrumental é tão adequada que faz parte integrante da música. A letra dialogada entre homem e mulher, muito bem construída, ideal para um quadro cômico-musical, têm interferências que funcionam como breques, alguns improvisados na gravação original – por exemplo, o breque “Mentirosa, mentirosa, mentirosa…” foi introduzido pelo cantor Luís Barbosa. A seção “Juro por Deus, pelo Senhor do Bonfim…” quase ad libitum, no meio da música, antecipa um procedimento que Ary usaria outras vezes e que sem dúvida, valoriza o retorno ao ritmo marcado, como em “Os quindins de Iaiá” ( 1941 ) e na segunda versão de “No Morro (Eh, eh!)”, rebatizada de “Boneca de piche” (1938).
Comprador dos direitos de “No Tabuleiro da Baiana”, para uso exclusivo no teatro, Jardel Jercolis o incluiu na revista Maravilhosa (outubro de 36), na qual era cantado e dançado pela dupla Déo Maia e Grande Otelo. Em 31.12, a composição voltou à cena, na revista É Batata!, da mesma companhia, desta vez apresentada por Oscarito e a menina Isa Rodrigues, então chamada de “Shirley Temple brasileira” e que faria carreira no teatro e na televisão. Antes porém da estréia teatral, “No Tabuleiro da Baiana” já estava gravado por Carmen Miranda e Luís Barbosa, sendo revivido em 1980 por Gal Costa e Caetano Veloso e em 1983 por Maria Bethânia e João Gilberto.

No tabuleiro da baiana (samba-batuque) – 1936 – Ary Barrosoclique para ouvir amostra da música

No tabuleiro da baiana tem:

——-D7M —–Em7—– Gbm7—– Em7
Vatapá, oi, carurú, mugunzá, tem umbú
——-D7M
Pra Ioiô
———-Eb0——- A7M Bb0—- Bm7
Se eu pedir você me dá o seu coração
———E7—– Em7 —-A7—– D7M
Seu amor de Iaiá?

No coração da baiana tem :

——-D7M —-Em7 Gbm7 —–Em7
Sedução, cangerê, ilusão, candomblé
——–D7M
Prá você
Bm7———– Gbm7
Juro por Deus, pelo Senhor do Bonfim
—-Em7 A7—— D7M
Quero você, baianinha, inteirinha
——–B7 ——Gbm7/-5
Pra mim
——B7/-9——– Em7—— A7
E depois, o que será de nós dois
——–D7M—– Em7 A7 D7M
Seu amor é tão fugaz, enganador

Bm7 ———-Gbm7
Tudo já fiz, fui até num cangerê
Em7—— A7
Pra ser feliz
———D7M ——————-B7 ——Gbm7/-5
Meus trapinhos juntar com você
—–B7/-9—- Em7———– A7
E depois vai ser mais uma ilusão
——-D7M —-Em7 —–A7 —–D7M
No amor quem governa é o coração

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