recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Ovídio Chaves

Posted by everbc em 13/12/2007

Ovídio Chaves (Ovídio Moojen Chaves), compositor, escritor e instrumentista, nasceu em Lagoa Vermelha RS em 29/7/1910 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 2/8/1978. O pai, comerciante, tocava bandônio e o incentivou no gosto pela música, que começou a estudar aos sete anos.
Em 1932 foi aluno de José Lucchesi no Conservatório de Música de Porto Alegre RS, mas desde 1925 já trabalhava como violinista de orquestra, acompanhando projeções de cinema mudo em Lagoa Vermelha.
Na capital gaúcha foi redator do jornal Correio do Povo. Além do violino, tocava violão; em 1939 estreou como compositor com Fiz a cama na varanda (com Dilu Melo), gravada pela parceira em 1941, na Continental. A música transformou-se no grande sucesso de sua carreira, sendo mais tarde gravada, entre outros, por Inezita Barroso, Dóris Monteiro, Nara Leão, Cantores de Ébano, a Orquestra de Radamés Gnattali, conjuntos de rock e, ainda, na França, em versão.
Em 1942 compôs Alecrim da beira d’água, seguida em 1943 por Menino dos olhos tristes. Dois anos depois compôs o xote Rede de Maria. Em parceria novamente com Dilu Melo, lançou em 1951 a polca Meia-canha. Entre suas músicas posteriores mais importantes, destaca-se a Toada do jangadeiro (com Enoque Figueiredo), de 1962. Em 1967 recebeu o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, no gênero poesia.
Tem cerca de vinte composições gravadas. Publicou os livros de poesias O cancioneiro, Porto Alegre, 1933; O anel de vidro, Porto Alegre, 1934; Uma janela aberta (foto acima), Porto Alegre, 1938; ABC de Paquetá, Rio de Janeiro, 1965; e o romance Capricornius, Porto Alegre, 1945.
Obras: Alecrim da beira d’água, 1942; Fiz a cama na varanda (c/Dilu Melo), 1939; Meia-canha (c/Dilu Melo), polca, 1951.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora – PubliFolha.
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Uma resposta to “Ovídio Chaves”

  1. Luciano Moojen Chaves said

    Srs.
    Abaixo, grandes personalidades escreveram sobre meu pai, Ovidio Chaves:
    Grandes nomes da literatura e do jornalismo escreveram sobre o Poeta, Jornalista, Compositor e Boêmio Ovídio Chaves.
    (Prêmio Nacional de Poesia Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras).
    Luciano Moojen Chaves
    lucianomoojen@gmail.com
    (22) 2630-0283.

    Mário Quintana
    Quintana – amigo e colega de redação no Correio do Povo – chamava-o de “Ave Noturna”. Certa vez escreveu o seguinte sobre o parceiro de bar & poesia: “Conheci Ovídio Chaves nos tempos em que a gente literalmente bebia poesia. Naqueles tempos os bares eram silenciosos. Havia um, à esquina da Ladeira, onde jogávamos xadrez, espécie de poesia de muita tática e matemática e que exigia silêncio – um silêncio interrompido “ou acompanhado” pelo dono do bar, que tocava cítara. Havia outro bar, numa outra esquina, à Rua da Ponte, onde um grupo de velhos jogava dominó na mesa de sempre e cujos parceiros, a olhos vistos, iam diminuindo de um em um… Ovídio, com o seu coração repartido e o seu violão de treze cordas, continuou seguindo a evolução da noite…”.
    Mário Lago
    Mário Lago – também amigo e colega de redação – chamava-o de “Redondilha”. “Era uma bela roda nos velhos tempos da Rádio Nacional, reunida sempre no restaurante do vigésimo segundo andar. Tanta gente que as circunvoluções do cérebro nem sempre conseguem reter. Mas de vez em quando se chegava àquela figura baixinha, roliça, gesto miúdo de quem não quer invadir o espaço dos outros, a fala mansa… O Ovídio Chaves. Seu jeito todo em três por quatro, como fotografia de documento… (…) O Redondilha. É no metro poético em que ele se sente como peixe na água. (…) Os Atos Institucionais e o rodar da vida foram jogando cada um de nós prá um canto… Os horizontes andavam fechados, não dava prás pessoas ficarem se procurando, mesmo que fosse através do arco-íris que às vezes permite comunicação…”.
    Manuel Bandeira
    No prefácio do “ABC de Paquetá”, Manuel Bandeira salientava: “Ovídio Chaves da o melhor de si, o melhor de sua poesia nessas páginas em que cada verso ressoa como um beijo de admiração e amor”. Bandeira escreveu também sobre “Uma Janela Aberta”: “Ovídio Chaves já revelara o seu talento de trovista no livro anterior – O ANEL DE VIDRO. Neste agora mostra-se senhor do soneto. Há nos seus versos um tom prosaico que não é o tom de escola. Lembra antes certas coisas de Artur Azevedo e às vezes de Antônio Nobre. Esse “lembra” não leva, aliás, nenhum HINT de imitação. O poeta tem voz própria.”.
    Carlos Drumond de Andrade
    Drumond escreveu o seguinte sobre o “ABC de Paquetá”: “Obrigado, Ovídio Chaves, pelo presente que me deu: Paquetá trazida em casa, manuseável, gostável, Paquetá de bolso, cabendo inteira num livrinho – e tão grande, com suas vozes, cores, águas, encantos, espantos, saltando dos seus belos versos. (…)”. Escreveu também, sobre “Uma Janela Aberta”: “Gosto do seu jeito meio despreocupado, meio boêmio de dizer as coisas, de contar a sua vida, estabelecendo com o leitor uma comunicação emotiva que nada tem dos choques violentos e passageiros. Vê-se que V. não sabe mentir em poesia. Seus poemas se oferecem lealmente, desprevenidamente, e atrás deles é fácil perceber o movimento afetuoso de um homem capaz de amizade”.
    Augusto Meyer
    O Acadêmico Augusto Meyer foi o relator do Prêmio Olavo Bilac da ABL. Escreveu o seguinte em seu parecer: “Mas, a um novo exame excitante e prolongado, entrou a ver o relator que, dentre os selecionados começava a impor-se cada vez mais, avultando a título de exceção, ou por força do contraste, o ABC de Paquetá de Ovídio Chaves. (…) Trovista consagrado, mestre do violão que é para ele um confidente e amigo para todas as horas, dono dos improvisos boêmios ao decante, sabendo por instinto e gosto entoar uma cantiga, ficou na redondilha, como quem respeita a sabedoria dos limites, ficou na sua ilha e conseguiu, assim, pela modéstia dos propósitos, apurar a unidade do poema, assegurar a continuidade harmoniosa do canto. Recomendo a todos, especialmente aos poetas herméticos, a leitura deste livrinho delicioso e, na qualidade de relator, proponho seja concedido o “Prêmio Olavo Bilac” ao poeta Ovídio Chaves”. A comissão julgadora era formada pelos seguintes Acadêmicos: Ledo Ivo, Cassiano Ricardo, Rodrigo Octávio Filho, Manuel Bandeira, Osvaldo Orico, Adonias Filho, o relator Augusto Meyer e Austregésilo de Ataíde, Presidente da Casa. O prêmio foi concedido por unanimidade.
    Érico Veríssimo
    Érico Veríssimo escreveu o seguinte sobre o “Cancioneiro”: “ Desse Ovídio Chaves terno e sentimental todas as pessoas, todas as almas que sentem e compreendem poesia podem dizer: Ele é meu irmão. (…) Quem tomar o livro de Ovídio Chaves e procurar meter em cima dele friamente o microscópio da análise crítica merece um tiro bem no epicrânio; deve ser esquartejado e sua raça declarada maldita até a quarta geração. Ovídio Chaves não há dúvida: você escreveu poesia.”
    Ibrahin Sued
    Um dos mais influentes colunistas sociais do Brasil, por décadas, grafou o seguinte: “NOTÍCIAS DO SUL: O poeta e jornalista Ovídio Chaves é o Carlos Machado dos pampas. Dono da noite gaúcha, com as suas elegantíssimas boates Piano Drink e Clube da Chave”.
    Paulo Gasparotto
    O colunista Gasparotto, que era freqüentador assíduo do Clube da Chave, escreveu que: “O poeta e jornalista Ovídio Chaves foi o responsável pelo melhor período da boemia gaúcha”.
    Fausto Wolff
    O combativo jornalista Fausto Wolff escreveu sobre o “seu herói”, em sua coluna no Caderno B do Jornal do Brasil, de 16 de setembro de 2006. “Nos idos de 1954, 1955, em Porto Alegre, nem tudo estava perdido para mim. Havia o Clube da Chave do poeta, jornalista e músico Ovídio Chaves, que Ibrahin batizou de Carlos Machado dos Pampas. Era a primeira boate da cidade. (…) Tinha muita admiração por Ovídio, como, aliás, a cidade inteira. Ele era o meu herói e me deixava ficar horas ancorado no bar, com um cuba-libre que tinha que durar a noite inteira. O Clube da Chave era galeria de arte e palco, o que dava espaço para atores, cantores, artistas plásticos e cenógrafos. Foi lá que conheci Mário Quintana, Carlos Scliar, Iberê Camargo. Cecília Meireles e Manuel Bandeira leram seus poemas na casa. De dia, Ovídio escrevia para o Correio do Povo e, à noite, era o dono da noite.”
    Cecília Meireles
    Cecília Meireles, freqüentadora do “Clube da Chave”, escreveu que: “Todo o mundo, pelo menos todas as pessoas importantes já disseram coisas a seu respeito – não deixaram nada para mim… Para eu dizer alguma coisa, só mesmo se for uma coisa que valha a pena, quer dizer, uma coisa mais estupenda do que todas as que foram ditas. (…) Peço a Deus que o proteja de todos os malefícios da palavra, que o conserve com o seu violão, na sua “casa errada…”, assim tal como V. é naturalmente”.
    ENDEREÇO
    Eu comprei uma casa – uma casa esquisita,
    estranha, diferente, triste, meio errada,
    e vivo dento dela uma vida bonita
    isolado de tudo. Essa vida isolada
    me torna um cidadão tranqüilo que acredita
    em Deus, no coração, no Diabo… Não há nada
    que atrapalhe esta paz – minha paz infinita
    Eu comprei uma casa triste, meio errada…
    Dona Marieta cuida, arruma, fiscaliza…
    O capitão papai na rede… Deus precisa
    É deixar sempre assim o meu povo e meu casebre…
    Dona Marieta, um poeta, a rede, o capitão:
    Tudo à Rua Castro Alves: Jardim. Um portão,
    614, (esquina.) Porto Alegre…
    Albino Cunha
    Albino Cunha foi passar uns dias conosco em Paquetá. Voltando a Porto Alegre, escreveu o seguinte no jornal: “Obtive aqui em Porto Alegre o novo endereço de Ovídio Chaves. Disseram-me que ele estava morando com sua mulher, Ika, e os três filhos “num casarão de amplas janelas, pertinho, a três metros do mar…”, em plena Ilha de Paquetá, na Praia da Moreninha. E, então, no meu primeiro domingo no Rio, naveguei direto para a casa do Poeta. Como acontecia em Porto Alegre, encontrei a casa de Ovídio Chaves cheiinha de gente. Violão. Piano tocando. Pintores. Gente famosa de rádio e televisão. Escritores. Gente de teatro. Jornalistas. Bebi uma batida honesta. Comi o melhor arroz-de-carreteiro do mundo. Fiquei feliz por rever o boêmio, o velho amigo.”
    Walmir Ayala
    O jornalista, poeta e crítico de arte Walmir Ayala, passava temporadas na nossa casa na Ilha de Paquetá. Escreveu o seguinte sobre o amigo: “Era o boêmio inteligente, o amigo leal, o valorizador dos papos e do silêncio… Ninguém que o tivesse conhecido escapou a este carisma. (…) Não posso, com justiça, deixar de declarar minha admiração, meu maravilhamento, por sua alta e despretensiosa poesia que a morte do poeta não matou, e que é o melhor da vida, porque se integra na medida possível do eterno da nossa sobre vida espiritual.”
    No jornalismo, Ovídio Chaves atuou por mais de 15 anos na imprensa gaúcha ( Rádio Farroupilha, Diário de Notícias e Correio do Povo ). Em 1961, foi convidado pelo Presidente João Goulart para ser redator da Rádio Nacional do Rio de Janeiro (Maior veículo de comunicação do país, na época). Defendia com muita garra as idéias e os ideais do PTB de Jango & Brizola. Com o golpe militar de 1964, ele foi “demitido pelo Presidente da República, sem prejuízo das sanções penais que esteja sujeito”. Foi preso e barbaramente torturado por “crime de opinião”. Foi recuperado quase morto pelo General Cordeiro de Farias, amigo de nossa família. Foi viver na clandestinidade. Clandestino, trabalhou na REVISTA MANCHETE, com o editor Justino Martins; na Editora El Ateneu, com o dono, Don Herrera e na Biblioteca Nacional, com o Diretor Geral Augusto Meyer.
    Publicou cinco livros de poesia: “Capricórnios”, “Anel de Vidro”, “Cancioneiro”, “Uma Janela Aberta” e “ABC de Paquetá”. Em 1980, o Governo gaúcho publicou, post mortem, o livro de poesia regionalista “Chão de Infância”. Temos mais três livros inéditos:” Diário Morrer ”(O saudoso Iberê Camargo fez ilustração para a capa),” Diário Vício Literário” e” Mini-Sonetos”.
    Na área musical, foi furtado por quase todos os seus “parceiros”. Seu único sucesso nacional é a música “Fiz a cama na varanda”, que foi gravada por Inezita Barroso, Cantores de Ébano, Maria Creusa, Dóris Monteiro, Nara Leão, Simone e outros; e que hoje faz parte do folclore gaúcho.

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