recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Novos Baianos

Posted by everbc em 06/01/2008

Os Novos Baianos foram um exemplo lapidar de um grupo pautado na base cultural brasileira, mas com toda uma preocupação de ter um som com elementos universais. Ativo entre os anos de 69 e 79, o grupo lançou oito trabalhos que viraram marcos no contexto da música popular brasileira e até do rock brasileiro dos anos setenta.

Utilizando-se de diversos gêneros musicais brasileiros, o grupo cozinhou em seu caldeirão João Gilberto, Luiz Gonzaga, choro, afoxé, e toda a parafernália eletrica de Dodô a Jimmy Hendrix. Os Novos Baianos tornaram-se emblemáticos dentro da indústria cultural brasileira pela constante referência às matrizes musicais nordestinas incorporando também tangos, sambas e boleros, operando a clássica infusão tropicalista, divulgada alguns anos antes pelos seus conterrâneos tropicalistas Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Tom Zé.

Influenciados pela contracultura e pela emergente Tropicália, Luiz Dias Galvão (Juazeiro/Ba, letras) Moraes Moreira (Antônio Carlos de Moraes Pires Moreira -Ituaçu/Ba, 08/07/47), Paulinho Boca de Cantor (Paulo Roberto de Figueiredo -Santa Inês/Ba, 28/07/47), Baby do Brasil – ex-Baby Consuelo (Consuelo Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade -Niterói/RJ, 12/05/52) tocam juntos pela primeira vez em Salvador, no show Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio, em 69. Ainda neste ano se inscrevem no V Festival de MPB da TV Record, com a música De Vera.

Primeiro LP com influência Tropicalista

O primeiro disco é tido como um petisco tropicalista para os colecionadores e marca a estréia musicada do poeta Galvão, que com seu lirismo louco e canábico soube retratar bem os vários temas ligados à sua geração e que mantém elo identificatório até com as gerações mais novas. Estrada, futebol, as ladeiras e belezas da Bahia, tudo foi cantado pela lira juazeirense de Galvão.

Nas apresentações em palco e gravações, o grupo era acompanhado inicialmente pelo grupo “Os Leifs” , do qual faziam parte Pepeu Gomes e seu irmão baterista, Jorginho Gomes. O guitarrista Pepeu Gomes, que logo iria s casar com a vocalista da banda, ao se incorporar definitivamente ao grupo, passa, juntamente com Moraes Moreira, a ter um papel de arranjador musical no Novos Baianos, o que ficou mais perceptível nos últimos discos.

Em 71, se fixam no Rio de Janeiro em uma cobertura e no ano seguinte mantém contato com João Gilberto, que passa alguns dias com eles. Sobre o episódio, Galvão comentaria mais tarde que, quando viu um senhor usando terno e gravata, achou que se tratava de um agente da Polícia Federal.

O estouro nacional com o segundo LP

A influência do já consagrado bossanovista foi sentida no próximo album, o clássico Acabou Chorare ,lançado pela Som Livre, e seria decisiva em outros albuns quando se tentou uma fusão de rock com MPB. Este disco se configurou no único momento de carreira da banda em que foram unanimidade de público e crítica.

A projeção nacional vem com os hits, Preta Pretinha , Besta é tu e a regravação de Brasil pandeiro, homenagem do grupo a outro baiano, o compositor santoamarense , Assis Valente.

Por essa época, o grupo incorpora à sua formação o subgrupo A Cor do Som, composto por Pepeu Gomes, seu irmão Jorginho Gomes (Jorge Eduardo de Oliveira Gomes -Salvador/Ba, 23/08/54) na bateria, Dadi (Eduardo Magalhães de Carvalho – Rio de Janeiro/RJ, 16/08/52), no baixo; e José Roberto Martins Macedo (São Paulo, 15/08/50), o Baixinho, na percussão e Bolacha (Carlos Alberto Oliveira) na percussão. O subgrupo acaba por servir de sólida base ritmica para o som elétrico dos Novos Baianos.

Com este novo núcleo eles tinham um regional onde os vários membros tocam percussão, bandolim, cavaquinho e pandeiro passeando prelos choros, rocks frevos e baiões como se tudo isso tivesse nascido junto . O núcleo vocal era formado por Baby Consuelo, Moraes e Paulinho Boca de Cantor.

Em 73, já fixados num sítio no bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, passam a dividir o tempo entre a música e futebol contando com a presença de visitantes ilustres como o ex-atacante do Flamengo, Afonsinho. Neste aspecto, os Novos Baianos conseguiram realizar uma obra de qualidade duradoura e inovadora, em termos rítmicos e líricos.

Em pleno clima de fechamento das liberdades democráticas por conta do regime militar, viviam como uma comunidade quase que anárquica. Fruto dessa convivência existencial e artística, o grupo lança o álbum Novos Baianos Futebol Clube, de 73, lançado pela Continental.

Destaques desse LP são as faixas: O samba da minha terra, de Dorival Caymmi, numa releitura com arranjos que se dissolvem numa orgia de guitarras; e Alimente, um chorinho-baião instrumental. No ano seguinte, lançam Novos Baianos, ainda com Moraes Moreira, que parte para carreira-solo. Este álbum tem como destaque a faixa O rei da Bola, um frevo afro de Moraes, Pepeu e Galvão, que homenageia o futebol brasileiro.

O início do fim

Desfalcado de Moraes, co-autor da maioria das letras em parceria com Galvão, os Novos Baianos tem na figura de Pepeu Gomes o seu eixo instrumental, fato que fica perceptível no álbum seguinte Vamos para o Mundo. O grupo ganha o reforço do dançarino Gato Félix para dar maior enfoque cênico às apresentações. Neste álbum predominam as faixas instrumentais que são calcadas no choro, samba, baião e outros gêneros enraizados na cultura popular nordestina.

O próximo álbum, Caia na estrada e perigas ver pela gravadora Tapecar traz a regravação samba eletrizado Ziriguidum de Jackson do Pandeiro, e o choro Brasileirinho, de Waldir Azevedo. A faixa-título, um frevorock-carnavalizado, tem a letra baseada nos dísticos escritos em fundos de caminhões.

Em 76, Dadi deixa os Novos Baianos e forma um novo A Cor do Som, sendo substituído por outro irmão de Pepeu, Didi (Eduardo Gomes Oliveira Salvador/Ba ). As modificações na formação da banda incluem, também, a entrada de Charles Negrita na percussão e a saída de Gato Félix.

Já enfraquecidos pelo processo embrionário das carreiras-solo de Pepeu, Baby e Paulinho, o grupo lança, em 77, um disco cheio de frevos e sambas carnavalescos chamado Praga de Baiano. Neste momento os Novos Baianos já tinham se tornado uma banda de trio elétrico do carnaval de Salvador, tendo sido Baby a primeira cantora a cantar neste tipo de evento.

O último trabalho, Farol da Barra, lançado em 78, traz o último sucesso do grupo, a bossa que é a faixa título, parceria de Caetano Veloso e Galvão. Além disso dois compositores da tradicional MPB são homenageados: Ary Barroso, com Isto aqui, o que é? Dorival Caymmi com Lá vem a baiana. No ano seguinte, os integrantes do grupo de forma consensiosa resolvem encerrar as atividades.

Em 87, Baby , Pepeu, Morais e Paulinho Boca de Cantor voltam a se reunir para uma única apresentação na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA) na reabertura do espaço. Outro reencontro acontece no Carnaval de 90, quando Baby, Pepeu, Moraes e Paulinho cantam num trio elétrico nas ruas de Salvador. Neste mesmo ano, Moraes e Pepeu retomam a antiga parceria num novo LP e numa turnê pelo Brasil.

Em 97, o poeta, letrista e cantor Galvão depois de publicar a autobiografia do grupo intitulada Anos 70: Novos e Baianos consegue reunir a formação original da banda e lançar o CD (duplo) Infinito Circular, que reúne antigas e novas composições do grupo, dentre elas a faixa-título, cantada por Galvão, que faz um resumo da ideologia libertária destes. Para os velhos fãs, clássicos cantados por Moraes, Paulinho, Pepeu e Baby. O futuro do grupo de acordo com as últimas declarações depende da disponibilidade de tempo oferecida pelos projetos individuais de cada membro dos “Novos Baianos”.

Fonte: Novos Baianos – Biografia

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Uma resposta to “Novos Baianos”

  1. rodrigo said

    eu quero saber so de dadi por que aqui ñ fala muito dele

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