recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Archive for the ‘bossa nova’ Category

Agostinho dos Santos

Posted by everbc em 28/06/2007

Agostinho dos Santos

Um dos pontos mais altos no espetáculo de Bossa Nova no Carnegie Hall, em 21 de novembro de 1962, foi a apresentação de Luiz Bonfá ao violão e Agostinho dos Santos cantando Manhã de Carnaval. Bonfá lembra que Agostinho, muito nervoso, abordou-o pouco antes do show começar e pediu para cantar junto. Bonfá, muito sem jeito, disse que não, já o que estava combinado era que ele faria apenas um solo com o violão. Agostinho não desistiu: “Não tem importância, você modula que depois eu entro …”. Depois de muita insistência, Bonfá cedeu: combinaram que ele faria primeiro uma introdução instrumental e depois anunciaria Agostinho. Mas quando o violonista começou a tocar, os aplausos abafaram o som.

Agostinho, achando que já era sua hora, entrou. E acabou cantando desde o início, exatamente como queria. O Carnegie Hall aplaudiu de pé, e cravos vermelhos foram atirados ao palco. Era de uma voz limpa, extensa e afinada. Notável participação de um cantor de São Paulo na Bossa Nova.

Agostinho dos Santos, cantor e compositor, nasceu em São Paulo, SP, em 25 de abril de 1932 e faleceu em Paris, França, no dia 12 de julho de 1973. Criado no bairro do Bexiga, começou a carreira artística como crooner da orquestra de Osmar Milani, que atuava no Avenida Danças, em São Paulo. Participava também de programas de calouros. Graças ao trompetista José Luís, em 1951 conseguiu um contrato com a Rádio América, de São Paulo.

Em 1955, foi contratado pela Rádio Nacional, de São Paulo. Nesse ano, apresentou-se na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, ao lado de Ângela Maria e Sylvia Telles, com acompanhamento da Orquestra Tabajara. Ainda em 1955, gravou, na Polydor, Meu benzinho (versão de My Little One, de Frankie Lane), seu primeiro sucesso, que lhe valeu os troféus Roquete Pinto e Disco de Ouro.

No ano seguinte, lançou pela Polydor o LP Uma voz e seus sucessos, com musicas de Tom Jobim e Dolores Duran, destacando-se o samba-canção Estrada do sol, um dos seus maiores êxitos. O sucesso desse LP fez que Tom Jobim e Vinícius de Moraes o convidassem para ser o intérprete da trilha sonora do filme Orfeu do Carnaval, de Marcel Camus, na qual foi acompanhado por João Gilberto, alcançando grande êxito Manhã de Carnaval (Vinícius de Morais e Luís Bonfá) e A felicidade (Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Recebeu ainda o troféu Disco de Ouro nos anos de 1956, 1957, 1958 e 1959.

Em 1958, compôs o samba-canção Forças ocultas (com Antônio Bruno) e Sozinho com você (com Dirce Morais e Heitor Canilo). Nesse mesmo ano, lançou, pela RGE, o LP Agostinho espetacular, que incluiu sucessos como Balada triste (Dalton Vogeler e Esdras Silva) e Até o nome é Maria (Billy Blanco).

Em 1959, também pela RGE, gravou o LP O inimitável Agostinho com Hino ao sol (Billy Blanco e Tom Jobim), Eu sei que vou te amar (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), Fim de caso (Dolores Duran), e outras.

Em 1960 fez os sambas Chuva para molhar o sol (com Edison Borges) e Podem falar (com Renato Gama Duarte). Nesse ano, lançou, pela RGE, o LP Agostinho, sempre Agostinho, que, entre outros, incluía os sucessos Céu e mar (Johnny Alf) e O amor em paz (Tom Jobim e Vinícius de Moraes). Em 1961, compôs o samba-canção Distância é saudade.

Em 1962, participou do Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em New York, E.U.A., cantando com acompanhamento do conjunto de Oscar Castro Neves. Em suas diversas excursões ao exterior, apresentou-se no Chile, Uruguai, Argentina, Venezuela, México, Itália, Portugal, Republica Federal da Alemanha, África e E.U.A. No Brasíl e nos E.U.A., cantou ao lado de Johnny Mathis, na Itália apresentou-se com Caterina Valente.

Em 1967, compôs o samba-canção Quem levou Maria e gravou, na RGE, o LP Os grandes sucessos de Agostinho dos Santos. Em 1968 participou do III FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, interpretando Visão (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar). Em outubro desse ano, foi à Europa, onde se apresentou na televisão de Portugal, Inglaterra, Bélgica e França. Compôs, ainda, Balada do homem sem Deus (com Fernando César), Sambossa e Ave do amor (com Chico Feitosa), O amor está no ar (com Miguel Gustavo), Vai sofrendo, Remorso e Prece ao sol, entre outras.

Uma de suas últimas gravações foi Avião (Maurício Einhorn, Durval Ferreira e Hélio Mateus), pela Odeon. Faleceu num acidente aéreo, nas imediações do aeroporto de Orly, em Paris, França.

Algumas músicas

A felicidade, A noite do meu bem, Balada triste, Chora tua tristeza, Chove lá fora, Dindi, Esmeralda, Estou pensando em ti, Estrada do sol, Eu sei que vou te amar, Feitio de oração, Fim de caso, Manhã de Carnaval, Maria dos meus pecados, Meu benzinho (My little one), Mulher de 30, Negue, Ninguém é de ninguém, Nossos momentos, O amor e a rosa, O amor em paz, O barquinho, Por quem sonha Ana Maria, Primavera, Samba em prelúdio, Serenata suburbana.

Veja também:

Alaíde Costa / Aloysio de Oliveira / Baden Powell / Billy Blanco / Bossa Nova, Dicionário da / Bossa Nova, História da / Bossa Nova, mais letras / Cariocas, Os / Carlos Lyra / Chico Feitosa / Edu Lobo / Elizeth Cardoso / João Gilberto / Johnny Alf / Leila Pinheiro / Luiz Bonfá / Lula Freire / Maysa / Nara Leão / Newton Mendonça / Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli / Sylvia Telles / Tom Jobim / Vinícius de Moraes.

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Alaíde Costa

Posted by everbc em 28/06/2007

Alade Costa

Alaíde Costa (Alaíde Costa Silveira Mondin Gomide), cantora e compositora, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 08/12/1935. Começou a cantar em programas infantis do rádio: com 13 anos venceu um concurso de melhor cantora jovem, promovido por Paulo Gracindo, no seu programa Seqüência G3, da Tupi, do Rio de Janeiro, e, no ano seguinte, participou do Arraia Miúda, apresentado por Renato Murce, na Rádio Nacional.
A partir de 1952, passou a freqüentar os programas de calouros A Hora do Pato e Pescando Estrelas, este apresentado por Ary Barroso na Rádio Clube do Brasil, pela qual foi contratada.
Em 1957 gravou seu primeiro 78 rpm, pela Odeon, Tarde demais (Hélio Costa e Anita Andrade), que lhe valeu o prêmio de Revelação do Ano. Ainda em 1957, lançou outro 78 rpm com Conselhos (Hamilton Costa e Richard Frano) e Domingo de amor (Fernando César), também na Odeon. Ouvindo-a, João Gilberto procurou atraí-la para o movimento musical que estava sendo formado, conseguindo que, em 1959, gravasse músicas da bossa nova no seu primeiro LP na RCA, Alaíde canta suavemente, onde foram incluídas Estrada branca (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), Lobo bobo (Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli), grande sucesso, e Minha saudade (João Donato e João Gilberto).
Na mesma época participou de vários shows de bossa nova no Rio de Janeiro. em 1960 teve sua primeira oportunidade em São Paulo SP, participando do show Festival nacional da bossa nova, realizado no Teatro Record. Casando-se em 1962, mudou-se para São Paulo, onde, dois anos mais tarde, recebeu verdadeira consagração no show O fino da bossa, realizado no Teatro Paramount, cantando Onde está você (Oscar Castro Neves e Luverci Fiorini), música das mais marcantes em seu repertório, que lhe valeu um contrato por dois anos com a TV Record.
Com o sucesso, vieram os convites e as apresentações de 1964 e 1965: temporada no teatro Santa Rosa, no Rio de Janeiro, com Oscar Castro-Neves, participação no I Festival Universitário da TV Tupi, de São Paulo, apresentação no recital de canções renascentistas Alaíde alaúde, com o maestro Diogo Pacheco, no Teatro Municipal de São Paulo.
A partir de 1966, problemas de saúde (sua audição, cada vez pior, interferia no canto), e uma acentuada fidelidade ao tipo de música que havia cantado até então, levaram-na a se afastar da vida artística, voltando a aparecer em 1972, quando participou da faixa Me deixa em paz, do LP Clube da Esquina, de Milton Nascimento, com quem realizou também várias apresentações no Teatro Teresa Raquel e na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.
Ainda em 1972, voltou a gravar, lançando dois compactos: um simples, com Diariamente (Paulo César Girão e Gérson) e Antes e depois (Oscar Castro-Neves); e um duplo com Diz (Walter Santos e Teresa Sousa), Enlouqueci (Luís Soberano, Valdomiro Pereira e João Sales), Ansiedade (Paulinho da Viola) e E a gente sonhando (Milton Nascimento).
Lançou no ano seguinte, na Odeon, o segundo LP, produzido por Aluísio de Oliveira, que se intitulou Alaíde Costa & Oscar Castro-Neves, cantando, entre outras, Retrato em branco e preto (Chico Buarque e Tom Jobim) e Sabe você (Carlos Lyra e Vinícius de Morais). Outro compacto duplo foi lançado, em 1974, com Calvário (Marcos Calazans e Cau Pimentel), Avenida fechada (Elton Medeiros, Cristóvão Bastos e Antônio Valente), Primavera (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes) e O rei da França na ilha da assombração (Zé Di), samba-enredo do Salgueiro.
Regravou Onde está você, em 1975, num compacto simples. Um ano depois, lançou o LP Coração, pela Odeon. Em 1982 gravou Águas vivas, produção independente que mais tarde daria origem ao CD Alaíde Costa e João Carlos Assis Brasil (1995), lançado no Brasil e na França pela WEA. Lançou em 1988 o LP independente Amiga de verdade, em que canta ao lado de Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Ivan Lins, Egberto Gismonti e outros.
Três anos mais tarde estreou em São Paulo os espetáculos Coração violão, acompanhada por Paulinho Nogueira, e Alaíde Costa canta Tom Jobim. Em 1994 apresentou-se no Rio de Janeiro, ao lado do pianista João Carlos Assis Brasil; o espetáculo foi registrado em CD e lançado pela Movieplay em 1995. Em setembro de 1997, José Miguel Wisnik convidou-a para participar do evento Rumos Musicais, do Instituto Cultural Itaú, de São Paulo. Como compositora, fez letra e música de Afinal, e parcerias com Vinícius de Moraes, Geraldo Vandré, Paulo Alberto Ventura e Hayblan.
Algumas músicas:
Veja também:

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Bossa Nova

Posted by everbc em 27/06/2007

As primeiras manifestações do que viria a ser conhecido como Bossa Nova ocorreram na década de 50, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ali, compositores, instrumentistas e cantores intelectualizados, amantes do jazz americano e da música erudita, tiveram participação efetiva no surgimento do gênero, que conseguiu unir a alegria do ritmo brasileiro às sofisticadas harmonias do jazz americano.

Ao se falar de Bossa Nova não se pode deixar de citar Antonio Carlos Jobim, Vinícius de Moraes, Candinho, João Gilberto (na foto acima), Carlos Lyra, Roberto Menescal, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli, Baden Powell, Luizinho Eça, os irmãos Castro Neves, Newton Mendonça, Chico Feitosa, Lula Freire, Durval Ferreira, Sylvia Telles, Normando Santos, Luís Carlos Vinhas e muitos outros.

Impossível precisar quando a Bossa Nova realmente começou. Mas é certo que o lançamento, em 1958, dos discos Canção do amor demais, com Elizeth Cardoso interpretando composições de Tom e Vinicius, e Chega de saudade, com o clássico de Tom e Vinicius de um lado e Bim bom, de João Gilberto, do outro -, nos quais João surpreendeu a todos com a nova batida de violão, foi o resultado de vários anos de experiências musicais. Experiências empreendidas não só por João mas por toda a turma que se encontrava nas famosas reuniões na casa de Nara Leão.

História

Incompreendida no início, a bossa nova, depois de firmar-se no Brasil, acabou por ganhar o mundo, influenciar a música internacional e transformar a criação musical popular subseqüente. Movimento renovador da música popular brasileira, influenciado pelo jazz, a bossa nova surgiu na segunda metade da década de 1950 entre jovens de classe média da zona sul do Rio de Janeiro. Caracterizou-se por romper com as fórmulas tradicionais de composição e instrumentação, por harmonias mais elaboradas e por letras coloquiais.

À época do surgimento da bossa nova, a música popular brasileira vivia um momento de impasse, em que os ritmos americanos e caribenhos dominavam o mercado fonográfico. Nesse contexto, um público carioca de elite, do ponto de vista econômico e cultural, redescobriu o samba nascido nos morros e nos subúrbios, criado e interpretado por músicos populares. Esse público era também ouvinte de jazz, que teve influência decisiva, especialmente em sua forma cool, no trabalho de compositores e intérpretes considerados precursores da bossa nova: Dick Farney, o conjunto vocal Os Cariocas, Antonio Maria, Ismael Neto, Johnny Alf, Nora Nei, Dóris Monteiro e Maysa.

A partitura da peça Orfeu da Conceição, de 1956, projetou mundialmente os nomes de Antônio Carlos Jobim (Tom), como compositor, e de Vinícius de Morais, como letrista. Em 1958 foi lançado o disco Canção de amor demais, com músicas e arranjos de Tom e Vinícius, com a cantora Elizeth Cardoso. Apontado mais tarde como um antecedente direto da bossa nova, o disco apresentava em algumas faixas o violonista João Gilberto, cuja revolucionária batida sincopada caracterizaria, daí em diante, a bossa nova.

Em 1959 foi lançado Chega de saudade, disco considerado o marco fundador da bossa nova, com composições de Tom, Vinícius, Newton Mendonça, Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, ao lado de autores tradicionais, como Ari Barroso e Dorival Caymmi. Interpretadas no estilo contido e coloquial de João Gilberto e acompanhadas pela batida de seu violão, as músicas desse disco apresentavam um surpreendente predomínio dos tons menores, o que simulava desafinação. Desafinado, aliás, era o título de uma das faixas, que se tomaria um clássico do movimento.

Vários nomes logo se destacaram como compositores, além dos já citados: Baden Powell, Roberto Menescal, Oscar Castro Neves, Sérgio Ricardo, Luís Bonfá, Geraldo Vandré e João Donato, entre outros. Entre os intérpretes, que inauguraram um estilo isento de impostação e virtuosismo, cabe destacar as cantoras Sylvia Teles, Nara Leão e Alaíde Costa; e os conjuntos Quarteto em Cy, Sexteto Bossa Rio, Tamba Trio e Zimbo Trio. Em 1962, uma polêmica apresentação de bossa nova no Carnegie Hall de Nova York projetou internacionalmente o movimento.

Além dos nomes mais ligados ao movimento, muitos outros compositores e intérpretes, como Dolores Duran, Maysa, Billy Blanco, Juca Chaves e Lúcio Alves se deixaram influenciar por ele. Outros foram divulgadores da bossa nova nos Estados Unidos, como Maria Helena Toledo, Astrud Gilberto e Sérgio Mendes.

Embora bem recebida pelo público jovem, a bossa nova era criticada por seu alheamento aos problemas sociais. O espetáculo Opinião foi o divisor de águas entre a chamada “música de apartamento”, repassada de humor, ironia e nostalgia, centrada no amor e rica em imagens como a do “barquinho a deslizar no macio azul do mar”, e a música engajada, chamada “de protesto”. Opinião apresentava dois compositores de origem popular, o maranhense João do Vale e o carioca Zé Kéti, mas foram especialmente jovens de classe média os que mais se destacaram como autores da música de protesto: Marcos e Paulo Sérgio Vale, Geraldo Vandré e Théo de Barros, Rui Guerra, Oduvaldo Viana Filho, Ari Toledo e sobretudo Carlos Lyra e Sérgio Ricardo.

A partir de 1964, a bossa nova começou a perder espaço, que foi ocupado por outras tendências, como o tropicalismo ou a jovem guarda. A música popular, no entanto, estava radicalmente mudada e revalorizada. A influência da bossa nova foi determinante na obra dos excepcionais compositores que se lhe seguiram, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, Milton Nascimento e Gilberto Gil.

Veja também em Bossa Nova:

Agostinho dos Santos / Alaíde Costa / Aloysio de Oliveira / Baden Powell / Billy Blanco / Bossa Nova, Dicionário da / Bossa Nova, mais letras / Cariocas, Os / Carlos Lyra / Chico Feitosa / Edu Lobo / Elizeth Cardoso / João Gilberto / Johnny Alf / Leila Pinheiro / Luiz Bonfá / Lula Freire / Maysa / Nara Leão / Newton Mendonça / Roberto Menescal / Ronaldo Bôscoli / Sylvia Telles / Tom Jobim / Vinícius de Moraes

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