recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Archive for the ‘carnaval’ Category

Brasinha

Posted by everbc em 13/04/2010

Brasinha (Gustavo Tomás Filho), compositor (Rio de Janeiro RJ 10/12/1925—id. 16/4/1998), compôs principalmente músicas carnavalescas. Sua primeira composição, Minha canção, é de 1938.

Teve sua primeira música gravada — o samba Quero esquecer — por Zezé Gonzaga, para o Carnaval de 1952, na etiqueta Sinter. Com Luís Antônio compôs um samba famoso, Zé Marmita, gravado por Marlene, na Continental, para o Carnaval de 1953.

Seus principais parceiros foram Haroldo Lobo, Eratóstenes Frazão, Wilson Batista, Armando Cavalcanti, Klécius Caldas, Luís Antônio, Newton Teixeira e Rutinaldo. Algumas de suas músicas foram lançadas na França e em outros países. Foi funcionário da prefeitura do Rio de Janeiro.

Obras

Avenida iluminada ou Lágrimas de um coração (c/Newton Teixeira), marcha-rancho, 1969; Califa de Bagdá (c/Haroldo Lobo e Milton de Oliveira), marcha, 1957; A lua é dos namorados (c/Armando Cavalcanti e Klécius Caldas), marcha, 1961; Marcha do pescador (c/Rutinaldo), 1962; Oh! que delícia de mulata (c/Milton de Oliveira e Bevilaqua), marcha, 1968; O sheik de Copacabana (c/Blecaute e Almeidinha), marcha, 1967; Zé Marmita (c/Luís Antônio), samba, 1953.

Brasinha, o poeta da folia

As provas para o vestibular de Direito estavam marcadas para depois do carnaval de 1951, mas ele estava ali, em um boteco da Lapa, com os amigos vendo a folia passar. E então, entre uma cerveja e outra, veio a surpresa que mudaria para sempre a sua trajetória: um bloco passou cantando a sua primeira composição. Ele mal pôde acreditar. A faculdade ficou no sonho e a música tornou-se a sua grande paixão.

Foi assim que começou a carreira de Brasinha (Gustavo Thomas Filho) na MPB. Nem ele podia imaginar que, carioca, 17o. filho de uma família com origem italiana e inglesa, fosse conviver com os grandes nomes da música popular brasileira. Mas o destino quis assim. E ele seguiu a vocação, que inscreveria seu nome em enciclopédias e livros sobre a nossa MPB e deixaria aos admiradores da canção popular marchinhas inesquecíveis.

Com a chamada sorte de principiante, Brasinha gravou Quero esquecer, seu primeiro samba, em 1951. Depois, inspirado no ambiente do operariado brasileiro, de que ainda era integrante, olhou em volta, captou o sentimento do povo e brotaram os versos de Zé Marmita, uma crítica social que ainda não saiu de moda, elogiada até por Chico Buarque. Na época, um sucesso na voz da intempestiva Marlene.

As músicas são muitas. Quase 200 gravadas. Os parceiros outros tantos. As noites de boemia, incontáveis. Tudo servia de inspiração. A alardeada – e até hoje inacreditável – chegada do homem à Lua acabaram nos versos de A lua é dos namorados. A mulata, histórias infantis, histórias de adultos, como a do compositor e amigo Herivelto Martins, que em uma de suas idas ao sítio que tinha em Bananal, São Paulo, ficou maluco procurando uma tal vaca malhada. Se achou não se sabe, mas ela acabou em música de carnaval.

Por conta de seu ofício de carnavalesco conheceu gente bamba como Zé Kétti, Zé da Zilda, Blecaute, Risadinha, Donga, João da Baiana, Guilherme de Britto, Braguinha, entre tantos outros. Conheceu também astros da MPB, como Pixinguinha, Orlando Silva, Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymmi. Sem contar as estrelas: Emilinha, Ângela Maria, Linda e Dircinha Batista, Dalva de Oliveira. Aliás, a magia e o feitiço do carnaval sempre povoaram a imaginação do compositor, que gravou um de seus grandes sucessos Avenida iluminada (com o subtítulo sugestivo “As lágrimas de um coração”).

Para garantir o leite das crianças (uma delas, eu), Gustavo Thomas Filho era funcionário público. Depois do expediente, as noites de sexta-feira especialmente eram sempre uma criança. E, já na década de 70, com um gravador de rolo, dava asas à imaginação para compor novas músicas madrugada adentro.

Foi assim que ele criou A marcha do Kung Fu, com a qual sairia campeão do concurso Convocação Geral, promovido pelo Jornal O GLOBO, em 1975. Inspirado no seriado da TV Globo, a marchinha até hoje é tocada no carnaval. Depois viria Mexa-se, também na linha da crítica de costumes, enfocando a mania de saúde das pessoas nos anos 80, fazendo todo mundo praticar exercícios para viver com saúde e alegria.

Infelizmente, por conta do vício do cigarro, Brasinha viria a falecer, vítima de câncer de pulmão, no dia 16 de abril de 1998. Deixou a esposa, Maria de Lourdes, companheira de 48 anos de vida, e os filhos Gustavo e Kátia. Brasinha nasceu em 10 de dezembro de 1925. A sua vida e obra é hoje tema de um projeto, já certificado pelo Minc para ser transformado em livro, CD e show. Só falta o patrocínio (* Kátia Thomas é jornalista e filha do compositor Brasinha).

Fontes: Revivendo Músicas; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora e PubliFolha.

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O Corso

Posted by everbc em 16/01/2009

Corso carnavalesco, ou simplesmente corso, é o nome que os passeios das sociedades carnavalescas do século XIX adquiriram no início do século XX, no Rio de Janeiro, após uma tentativa de se reproduzir do país as batalhas de flores características dos carnavais mais sofisticados da virada do século, como o da cidade de Nice, no sul da França (Foto de Augusto Malta, s/data).

A brincadeira consistia no desfile de carruagens enfeitadas – e, posteriormente, de automóveis sem capota –, repletos de foliões que percorriam o eixo Avenida Central-Avenida Beira-Mar.

Ao se cruzarem, os ocupantes dos veículos (geralmente grupos fantasiados) lançavam uns nos outros, confetes, serpentinas e esguichos de lança-perfume.

Por sua própria natureza, o corso era uma brincadeira exclusiva das elites, que possuíam carros ou que podiam pagar seu aluguel nos dias de carnaval.

O corso era o mais difundido evento do carnaval carioca na primeira década do século XX, ocupando todo eixo carnavalesco durante os três dias de folia e abrindo espaço somente (e mesmo assim em horários predeterminados) para os grupos populares (chamados genericamente de ranchos) na noite de segunda-feira e para as Grandes Sociedades, na noite de terça-feira gorda.

Os grandes centros urbanos brasileiros rapidamente aderiram à moda surgida na capital e passaram a apresentar corsos em suas principais artérias durante o carnaval.

Uma importante divulgação do corso aconteceu durante o carnaval de 1907, quando as filhas do então presidente Afonso Pena, fizeram um passeio no automóvel presidencial, pela Avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro.

Segundo Eneida de Moraes, autora do livro História do Carnaval Carioca, a popularização dos automóveis afastou os foliões das classes alta e média, e nos anos 40, o corso acabaria desaparecendo de vez.

Felipe Ferreira, em seu O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro, sugere que o surgimento de bailes exclusivos para elite (como o famoso Baile do Municipal) após a organização do carnaval carioca em 1932, teve papel determinante na decadência do corso.

É também chamado de Corso a tradicional guerra de frutas entre a Escola Politécnica da USP e a Escola Paulista de Medicina, ambas da cidade de São Paulo. O evento dá-se durante o período do PauliPoli, cinqüentenária competição atlética entre os alunos de ambas escolas. A “batalha” se dá atualmente na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, e frutas, verduras e legumes, de preferência podres, são a munição dessa guerra, um pouco indigesta.

Fonte: Wikipédia.

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Ameno Resedá, o primeiro Rancho

Posted by everbc em 16/01/2009

O Ameno Resedá foi o mais famoso de todos os ranchos carnavalescos da cidade do Rio de Janeiro. Criado em 1907 por um grupo de funcionários públicos cariocas, após um piquenique em Paquetá, tinha sua sede no bairro do Catete.

Em 1908 o grupo teatralizou o tema a Corte Egipciana. Essa novidade agradou e foi imitado pelos demais ranchos. Seus enredos eram quase sempre mitológicos e serviam como ponto de união para se contar uma história com princípio, meio e fim. Isso criava condições dentro da visão do povo para maior brilho e explendor. As fantasias eram luxuosas, usavam materiais como lamê, seda e plumas e representavam príncipes, princesas, deuses, flores, caçadores ou animais. As fantasias dos Ranchos costumavam apresentar grandes resplendores e, muitas vezes, alegorias de mão.

Em 1914, O Ameno Resedá desfilou ao lado das sociedades carnavalescas. Em 1917, introduz a Comissão de Rancho, percussora das comissões de frente das escolas de samba. Naquele ano era composta por quatro sátiros transformados em “Príncipes Caçadores” com um séquito de Júpiter, Minerva, Atlas e doze pastores.

O Ameno Resedá tinha entre seus fãs Paulo de Frontin, Arnaldo Guinle, Oswaldo Gomes e Coelho Neto. Entre seus diretores de harmonia, ao longo dos anos, esteve o sambista Sinhô.

Em 1923, Coelho Neto, fã dos ranchos e torcedor do Ameno, faz uma crítica construtiva ao excesso de temas estrangeiros apresentados pelos ranchos, não por serem estrangeiros, mas sim porque na sua opinião eles já haviam sido repetidos com exaustão, a exemplo do que ocorre hoje com alguns enredos de escolas de samba.

O Ameno Resedá então compreende o recado e em 1924 traz o tema O Hino Nacional, considerado revolucionário, não apenas por ser nacional,mas também por ser um tema abstrato. Porém o rancho fica apenas com o terceiro lugar, o que teria levado Coelho Neto a escrever aos diretores do Ameno na época para que não desanimassem, pois nem sempre “quem planta é quem colhe”.

Em 30 de janeiro de 1941, o Ameno Resedá realiza sua última assembléia, onde é decidida a sua extinção. Parte de seus bens são doados à Irmandade de Nossa Senhora da Glória.

Fonte:Wikipédia. Leitura Recomendada: JOTA EFEGÊ. Ameno Resedá: o rancho que foi escola. Rio de Janeiro: Letras e Artes, 1965.

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