recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Archive for the ‘hekel tavares’ Category

>Hekel Tavares

Posted by everbc em 31/03/2006

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Hekel Tavares, compositor, regente e arranjador nasceu em Satuba AL (16/9/1896) e faleceu no Rio de Janeiro RJ (8/8/1969). Estudou piano com uma tia e, ainda criança, aprendeu harmônica e cavaquinho, já demonstrando grande interesse pelas manifestações populares.

Foi para o Rio de Janeiro em 1921 e iniciou-se em orquestração com J. Otaviano. Ao lado de Valdemar Henrique, Marcelo Tupinambá e Henrique Vogeler, sob a influência nacionalista da Semana de Arte Moderna (1922), criou um tipo de música situado na fronteira do erudito e do popular.

Iniciou-se profissionalmente como compositor de teatro de revista, fazendo em 1926 a música para a peça carnavalesca Está na Hora, de Goulart de Andrade, levada no Teatro Glória. Ainda em 1926 apareceu regendo uma orquestra na revista Plus-ultra, no mesmo teatro. Sua primeira composição de sucesso foi Suçuarana (parceria com Luiz Peixoto), lançada em 1927.

Autor de mais de 100 canções, alcançou seu maior êxito com Casa de caboclo (com Luiz Peixoto), gravada em 1928 por Gastão Formenti na Parlophon, e no mesmo ano Eu ri da lagartixa foi lançada por Patrício Teixeira, naquela gravadora. Em 1927, para o Teatro de Brinquedo (idealizado por Álvaro Moreira e outros), que funcionava no subsolo do Teatro Cassino Beira-Mar, musicou a peça de estréia, sendo também o pianista desse espetáculo e de outros que se seguiram. Essa experiência de teatro ligeiro e elegante teve pouca duração, pois era ainda muito reduzido o público de alta classe média, para o qual eram dirigidos os espetáculos. Assim, ainda em 1927, o compositor se viu na contingência de voltar às revistas mais populares dos teatros da Praça Tiradentes.

Em 1933 Jorge Fernandes gravou, na Odeon, O que eu queria dizer ao teu ouvido (com Mendonça Júnior). Nesse início da década de 1930, fez ainda Favela) (com Joraci Camargo), Chove!… chuva!… (com Ascenso Ferreira), Bahia (com Álvaro Moreira), Banzo (com Murilo Araújo), Na minha terra tem (com Luís Peixoto), Felicidade (com Luís Peixoto), Guacyra (com Joraci Camargo), Leilão (com Joraci Camargo), lançada em 1933 por Jorge Fernandes, na Odeon, e Caboclo bom (com Raul Pederneiras), gravada na Columbia em 1942, por Jorge Fernandes etc.

Em 1935 fez sua primeira composição erudita, André de Leão e o demônio de cabelo encarnado, poema sinfônico baseado no poema de Cassiano Ricardo (1895-1974) e lançado em álbum, com libreto ilustrado pelo gravador Osvaldo Goeldi. Inspirando-se sempre na música regional, continuou a produzir no gênero erudito, editando suas obras por conta própria.

De 1949 a 1953 percorreu quase todo o Brasil, em missão especial do então Ministério da Educação e Saúde Pública, pesquisando motivos folclóricos que utilizaria em diversas obras, como no poema sinfônico O Anhangüera, para orquestra, coro misto, solistas e coros infantis (com argumento de sua esposa, Marta Dutra Tavares, e poemas de Murilo Araújo), composição em que utilizou instrumentos de percussão dos índios Tucuna, do alto Solimões, e o conhecido motivo indígena Canide ioune. Ainda com o material obtido na viagem, em 1955 fez Oração do guerreiro, para baixo profundo. Compôs ainda Concerto, para piano e orquestra; Concerto em formas brasileiras, p/violino e orquestra; O sapo domado e A lenda do gaúcho, fantasias infantis. Deixou inacabados: Rapsódia nordestina e Fantasia brasileira, ambas para piano e orquestra, e o drama folclórico Palmares.

Em 1996 Fernando de Bortoli escreveu Hekel Tavares – O mais lindo concerto para piano e orquestra, São Paulo, Edição do autor, onde incluiu listagem das obras, discografia e bibliografia sobre o compositor.

Obras

Azulão (c/Luís Peixoto), canção, 1929; Bahia (c/Álvaro Moreira), s.d.; Banzo (c/Murilo Araújo), canção, 1933; Biá-tá-tá (c/Jaime d’Altavitta), coco, 1934; Caboclo bom (c/Raul Pederneiras), canção, 1942; Casa de caboclo (c/Luís Peixoto), canção, 1928; Chove!… chuva!… (c/Ascenso Ferreira), canção, 1931; Engenho novo, folclore, 1929; Eu ri da lagartixa, cateretê, 1928; Favela (c/Joraci Camargo), canção, 1933; Felicidade (c/Luís Peixoto), s.d.; Funeral de um rei nagô, s.d.; Guacyra (c/Joraci Camargo), canção, 1933; Humaitá, coco, 1934; Leilão (c/Joraci Camargo), 1933; Moleque namorador, fox-trot, 1927; Na minha terra tem (c/Luís Peixoto), canção, 1929; O que eu queria dizer ao teu ouvido (c/Mendonça Júnior), s.d.; Sabiá, canção, 1927; Suçuarana (c/Luís Peixoto), toada sertaneja, 1927.

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>Casa de caboclo

Posted by everbc em 23/03/2006

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Os versos desta canção “Numa casa de caboco / um é pouco / dois é bom / três é demais”, consagraram-se como um verdadeiro dito popular. Este fato, por si só, comprova a grande popularidade alcançada pela composição, que tornou conhecido o seu lançador, o então jovem cantor Gastão Formenti.

Autores de “Casa de Caboclo”, Hekel Tavares e Luiz Peixoto acabaram inspirando, juntamente com Joubert de Carvalho, uma onda de canções sobre motivos sertanejos, que proliferou no final dos anos vinte. Como acontece muitas vezes a músicas de sucesso, houve à época do lançamento quem considerasse “Casa de Caboclo” plágio de um tema de Chiquinha Gonzaga, levando a discussão aos jornais. Daí a informação que figura em algumas de suas regravações: “Canção baseada em motivos de Chiquinha Gonzaga”.

Casa de caboclo (canção, 1929) – C. Gonzaga, Luiz Peixoto e Heckel Tavares

http://res0.esnips.com/escentral/images/widgets/flash/guitar_test.swf
Gastão Formenti

(A)——— Gb7——— Bm——— E7
Você tá vendo essa casinha simplesinha
———————–AE7A
Toda branca de sapê
——————————-E—————- B7
Diz que ela véve no abandono não tem dono
—————————E7—- A
E se tem ninguém não vê
————-Gb7——— Bm————— E7
Uma roseira cobre a banda da varanda
————————A—– D
E num pé de cambuçá
————————-A————— E7
Quando o dia se alevanta Virge Santa
———————(A) (E) (A) (Db7) Gbm
Fica assim de sabiá
————————–Db7—————– D7
Deixa falá toda essa gente maldizente
—————————Db7—— Gb7
Bem que tem um moradô
——————————B7 —————-E7
Sabe quem mora dentro dela Zé Gazela
———————-(A) (E) (A) (E) A
O maió dos cantadô
—————-Gb7——- Bm ————–E7
Quando Gazela viu siá Rita tão bonita
———————–A—- E7—- A
Pôs a mão no coração
—————————E—————— B7
Ela pegou não disse nada deu risada
————————–E7—– A
Pondo os oinho no chão
————Gb7———– Bm ————–E7
E se casaram, mas um dia, que agonia
—————————–A ———-D
Quando em casa ele voltou
———————–A—————- E7
Zé Gazela via siá Rita muito aflita
———————-A (E) (A) (Db7) Gbm
Tava lá Mané Sinhô
—————————Db7——————– Gbm
Tem duas cruz entrelaçada bem na estrada
———————–Db7—- Gb7
Escrevero por detrás:
———————–B7—————- E7
“Numa casa de caboclo um é pouco
————————–(A) (E) (A)
Dois é bom, três é demais”

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