recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Archive for the ‘tango’ Category

Eduardo Souto

Posted by everbc em 05/07/2007

A obra variada do compositor Eduardo Souto, que teve parceiros tão famosos quanto João de Barro e Bastos Tigre, abrangeu gêneros como a valsa, o tango, o samba, a marchinha e o choro. Eduardo Souto nasceu em São Vicente SP, em 14 de abril de 1882. Aos seis anos de idade já tocava valsas no piano da família e aos 11 foi para o Rio de Janeiro RJ estudar o instrumento. Compôs sua primeira valsa, Amorosa, aos 14 anos. Em 1902 abandonou os estudos para se empregar num banco, onde trabalhou por 15 anos. Tomou-se famoso com o fado-tango O despertar da montanha (1919) (clique para ouvir a música), que adquiriu celebridade internacional.
Em 1920, o compositor fez sucesso no carnaval com a marchinha Pois não, com João da Praia, uma das composições pioneiras no gênero. Nesse mesmo ano, abriu a Casa Carlos Gomes, uma loja de música que se tornou ponto de encontro de compositores renomados. Organizava orquestras e corais e participava de peças teatrais musicadas quando foi designado pelo governo brasileiro paca organizar o programa musical de recepção aos reis da Bélgica.
O maior sucesso carnavalesco de Eduardo Souto foi Tatu subiu no pau (1924) (clique para ouvir a música), gênero em que se destacou também com Batucada (1931), em parceria com João de Barro, e Gegé (1932), com Getúlio Marinho. É autor do hino Glorioso, do Botafogo Futebol e Regatas, e da romântica Do sorriso das mulheres nasceram as flores, esta em parceria com Bastos Tigre. Em 1932, abandonou a música e voltou a trabalhar em banco. Eduardo Souto morreu no Rio de Janeiro em 18 de agosto de 1942.
Fonte:A Canção no Tempo – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34
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Ernesto Nazareth

Posted by everbc em 05/07/2007

“Seu jogo fluido, desconcertante e triste ajudou-me a compreender melhor a alma brasileira”, disse o compositor francês Darius Milhaud sobre Ernesto Nazareth, carioca que fixou o “tango brasileiro” e outros gêneros musicais do Rio de Janeiro de seu tempo. Ernesto Júlio de Nazareth nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 20 de março de 1863, e estudou música com os professores Eduardo Madeira e Lucien Lambert. Intérprete constante de suas próprias composições, apresentava-se como “pianeiro em salas de cinema, bailes, reuniões e cerimônias sociais. Entre 1920 e 1924, muitos personagens ilustres iam ao cinema Odeon apenas para ouvi-lo. Compunha, lecionava e vivia do piano. Suas partituras era vendidas aos milhares, mas não lhe garantiam a sobrevivência, pela falta de ordenamento dos direitos autorais. Em 14 de julho de 1886, casou-se com Teodora Amália de Meireles, e a ela dedicou a valsa Dora, inédita até então.

Brejeiro, composto em 1893, uma de suas composições mais famosas, é considerado o marco do tango brasileiro. Em razão de dificuldades financeiras, Nazareth vendeu os direitos dessa peça para a Editora Fontes e Cia. por 50.000 réis, o qual chegou a ser gravado pela banda da Guarda Republicana de Paris. Embora tenha composto obras as quais denominou de tango-brasileiro, Nazareth fazia uma diferenciação entre o choro e o tango-brasileiro, esta por ele considerada música pura. Seus tangos-brasileiros têm a indicação metronômica de M.M. semínima igual a 80 batidas, já no choro, a indicação é de 100 batidas. Para mostrar essa diferença, Nazareth compôs o choro Apanhei-te cavaquinho. Foi uma das únicas composições que ele considerou como choro. O mesmo entendimento tinham Chiquinha Gonzaga, Antonio Calado, Alexandre Levy e outros.

Em 1898 realizou seu primeiro concerto no salão nobre da Intendência de Guerra, por iniciativa do Clube São Cristovão, do Rio de Janeiro. Trabalhou no Tesouro Nacional, como escriturário. Em 1917 morre sua filha, Maria de Lourdes, considerado o primeiro abalo dos inúmeros pelos quais passou em sua vida. Nesse mesmo ano, atuou como pianista na sala de espera do Cine Odeon, que foi por ele inaugurado. As pessoas lotavam para ouvi-lo tocar, mais do que propriamente para ver o filme. Em 1910 já compusera o tango-brasileiro Odeon, inspirado naquele cinema. Em 1919 começou a trabalhar na Casa Carlos Gomes (mais tarde Carlos Wehrs). Executava as partituras que os fregueses se interessavam em comprar.

Compôs fox-trots, sambas e até marchas de carnaval, por um breve período, em 1920. Em 1922 interpretou Brejeiro, Nene, Bambino e Turuna no Instituto Nacional de Música, por iniciativa de Luciano Gallet. Participou como pianista, em 1923 da inauguração da Rádio M.E.C. (antiga Rádio Sociedade do Rio de Janeiro). Durante quase todo o ano de 1926 apresentou-se em São Paulo, capital e interior. Seus admiradores se uniram e deram-lhe um piano italiano de cauda Sanzin, que faz parte do acervo do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, Mário de Andrade fez uma conferência sobre sua obra na Sociedade de Cultura Artística, de São Paulo, SP. Retornou ao Rio de Janeiro em 1927, já apresentando sinais da surdez. Em 1929, morre sua mulher, o que lhe provocou profundo abalo.

Gravou para a fábrica Odeon, em 1930, o tango-brasileiro Escovando e o choro Apanhei-te Cavaquinho. Em 1932, fez várias excursões, principalmente para o sul do Brasil. Com o agravamento da surdez, tocava debruçado sobre o piano para conseguir ouvir sua própria música. Em 1933, apresentou graves perturbações mentais e foi internado no Instituto Neurosifilis da Praia Vermelha, sendo posteriormente transferido para a Colônia Juliano Moreira.

No ano seguinte fugiu e foi encontrado, 4 dias depois, afogado em uma represa. Há uma lenda segundo a qual ele teria sido encontrado morto debaixo de uma cachoeira. A sua postura era impressionante. Estava sentado, com a água lhe correndo por cima, com as mãos estendidas, como se estivesse tocando algum choro novo, que nunca mais poderemos ouvir… (Juvenal Fernandes, in Ernesto Nazareth, Antologia, Ed. Arthur Napoleão Ltda. AN-2087/88). Dele, disse Villa-Lobos: “Suas tendencias eram francamente para a composição romântica, pois Nazareth era um fervoroso entusiasta de Chopin.” Querendo compor à maneira do mestre polonês e não possuindo a capacidade necessária para uma perfeita assimilação técnica, fez, sem o querer, coisa bem diferente e que nada mais é do que o incontestável padrão rítmico da música social brasileira. De qualquer maneira, Nazareth é uma das mais notáveis figuras da nossa música.

Entre os grandes admiradores da obra e da atuação como intérprete de Ernesto Nazareth, citam-se Arthur Rubinstein, o russo Miercio Orsowspk, Schelling (que levou suas composições, exibindo-as nos Estados Unidos e Europa), Henrique Oswald e Francisco Braga. Serviu de tema e de inspiração a Luciano Gallet, Darius Milhaud, Enani Braga, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez, Francisco Mignone e Radamés Gnatalli.

Faz parte do repertório de Eudóxia de Barros, Arnaldo Rebelo, Homero Magalhães, Ana Stella Schic, Roberto Szidon e Artur Moreira Lima, cujas interpretações eruditas dão à sua obra uma nova dimensão. Maria Tereza Madeira (piano) e Pedro Amorim (bandolim), lançaram, em 1997 o CD Sempre Nazareth, pela Kuarup. Ainda nesse ano foi lançado o CD-Rom Ernesto Nazaré, o Rei do Choro (selo CD-Arte), com mais de 300 imagens do compositor, depoimentos, notas, discografia, músicas, além de um álbum com 11 partituras para piano das suas principais obras.

Ernesto Nazareth significa uma caso raro de ligação entre o erudito e o popular: não é um erudito, na acepção da palavra, nem é um compositor apenas popular. Ora se percebe em sua obra um toque chopiniano, especialmente nas valsas, ora a vibração de uma polca ou de um choro entranhados do espírito brasileiro.

Somente uma pequena parte das mais de 200 peças para piano compostas por Ernesto Nazareth foi gravada. Suas composições mais conhecidas são: Apanhei-te cavaquinho (clique para escutar o midi), Ameno resedá (polcas), Confidências, Coração que sente, Expansiva, Turbilhão de beijos (valsas), Bambino, Brejeiro, Odeon (clique para o midi) e Duvidoso (tangos brasileiros).

Obra completa: Adieu, romance sem palavras, 1898; Adorável, valsa, inédita, s.d.; Alaor Prata, hino, inédito (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), 1924; Albíngia, valsa, inédita, s.d.; Alerta, polca, 1909; O alvorecer, tango de salão (no manuscrito original figura o título Ensimesmado), 1925; Ameno Resedá, polca, 1912; Apanhei-te, cavaquinho, polca, 1915; Arreliado, tango, inédito, s.d.; Arrojado, samba, 1920; Arrufos, xótis, anterior a 1900; Até que enfim, fox-trot, s.d.; Atlântico, tango, 1921; Atrevidinha, polca, 1889; Atrevido, tango, 1912; Bambino, tango, anterior a 1909; Batuque, tango característico, 1906; Beija-flor, polca, 1884; Beija-flor, tango brasileiro (com letra do autor), s.d.; Beijinho de moça, tango, inédito, s.d.; A bela Melusina, polca, 1888; Bernardo de Vasconcelos (Escola), hino, inédito, s.d.; Bicyclette Club, tango, 1899; Bom-bom, polca, anterior a 1900; Brejeira, valsa brasileira, inédita (extraída do tango Brejeiro), s.d.; Brejeiro, tango, 1893; Caçadora, polca, s.d.; Cacique, tango, 1899; Capricho, fantasia, inédito, s.d.; Cardosina, valsa, inédita, s.d.; Carioca, tango, 1913; Carneiro Leão (dr.), hino, inédito (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), 1924; Catrapuz, tango, 1910; Cavaquinho, por que choras?, choro, 1926; Celestial, valsa, s.d.; Chave de ouro, tango, s.d.; Chile-Brasil, quadrilha, 1889; Comigo é na madeira, tango, inédito, 1930; Confidências, valsa, 1910; Coração que sente, valsa, 1905; Corbeille de fleurs, gavotte, 1889; Correta, polca, s.d.; Crê e espera, valsa, 1896; Crises em penca, samba brasileiro carnavalesco, inédito (letra e música de Toneser, anagrama de Ernesto), 1930; Cruz, perigo!!, polca, 1879; Cruzeiro, tango, inédito, s.d.; Cubanos, tango, inédito, s.d.; Cuera, polca-tango, 1913; Cutuba, tango, 1912; Cuiubinha, polca-lundu, 1893; De tarde, canção, inédita, (com versos de Augusto de Lima), s.d.; Delícia (Delight-fulness), fox-trot, 1925; Dengoso, maxixe, 1912; Desengonçado, tango, s.d.; Digo, tango característico, 1902; Dirce, valsa capricho, s.d.; Divina, valsa, 1910; Dor secreta, valsa, inédita, s.d.; Dora, valsa, inédita, 1900; Duvidoso, tango, anterior a 1910; Elegantíssima, valsa capricho; anterior a 1926; Elegia, morceau de salon para mão esquerda, inédita, s.d.; Elétrica, valsa rápida, 1913; Elite Club, valsa brilhante, 1900; Encantada, xótis, 1901; Encantador, tango brasileiro, inédito, s.d.; Eponina, valsa, anterior a 1912; Escorregando, tango brasileiro, s.d.; Escovado, tango, 1904; Espalhafatoso, tango, 1912; Españolita, valsa espanhola, s.d.; Está chumbado, tango, 1898; Ester Pereira de Melo (Escola), hino, inédito, s.d.; Eulina, polca, 1887-1888; Expansiva, valsa, 1912, Êxtase, romance, 1926; Exuberante, marcha carnavalesca, inédita, 1930; Faceira, valsa, 1920-1925; Fado brasileiro, inédito, 1925-1930; Famoso, tango, 1910; Fantástica, valsa brilhante, inédita, s.d.; Favorito, tango, anterior a 1909; Feitiço, tango, s.d.; Feitiço não mata, , chorinho carioca (letra de Ari Kerner), s.d.; Ferramenta, tango-fado português, 1905; Fidalga, valsa lenta, 1910; A flor dos meus sonhos, quadrilha, s.d.; Floraux, tango, 1909; Floriano Peixoto (Escola), hino, inédito (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), 1922; A florista, cançoneta (com letra de Francisco Teles), 1909; Fon-fon, tango, anterior a 1910; A fonte de Lambari, polca, 1887; Fonte do suspiro, polca, 1882; Fora dos eixos, tango carnavalesco, 1926; Fraternidade, hino infantil, inédito, s.d.; Furinga, tango, 1898; O futurista, tango,1922; Garoto, tango, 1916; Gaúcho, tango (no manuscrito original figura o título São Paulo-Minas), s.d.; Gemendo, rindo e pulando, tango, 1921; Genial, valsa, 1900; Gentes, o imposto pegou?, polca, 1880; Gentil, xótis, 1898; Gotas de ouro, valsa, 1916; Gracietta, polca, 1880; As gracinhas de Nhonhô, polca, anterior a 1910; Guerreiro, tango, 1917; Helena, valsa, 1896; Henriette, valsa, 1901; Ideal, tango, 1905; If I Am not Mistaken, fox-trot, inédito, s.d.; Improviso, estudo para concerto, 1931; Insuperável, tango, 1919; Iolanda, valsa, 1925; Ipanema, marcha brasileira, s.d.; Íris, valsa, 1899; Jacaré, tango carnavalesco, 1921; Jangadeiro, tango, s.d.; Janota, choro brasileiro, s.d.; Julieta, quadrilha, anterior a 1910; Julieta, valsa, anterior a 1910; Julita, valsa, 1889; Labirinto, tango, 1917; Laço azul, valsa, anterior a 1910; Lamentos, meditação sentimental, inédita, s.d.; Magnífico, tango brasileiro, s.d.; Máguas, meditação, inédita, s.d.; Maly, tango-habanera, inédito, s.d.; Mandinga, tango, s.d.; Marcha fúnebre, 1927; Marcha heróica aos 18 do Forte, marcha, inédita, 1922; Mariazinha sentada na pedra, samba carnavalesco, inédito (com letra de Ernesto Nazareth), s.d.; Marieta, polca, anterior a 1889; Matuto, tango, 1917; Meigo, tango, 1921; Menino de ouro, tango, s.d.; Mercedes, mazurca de expressão, 1917; Mesquitinha, tango característico, 1910; 1922, tango brasileiro (no original manuscrito Samba para o Carnaval), 1922; Miosótis, tango, 1895; Não caio noutra!!!, polca, 1881; Não me fujas assim, polca, 1884; Nazaré, polca, anterior a 1900; Nenê, tango, 1895; No jardim, marcha infantil, inédita (1. A caminho, 2. Preparando a terra, 3. A semente, 4. O plantio, inacabado), s.d.; Noêmia, valsa, 1911; O nome dela, grande valsa brilhante, 1878; Noturno, inédito, 1914; Noturno, inédito, 1920; Nove de Julho, tango argentino, 1917; Nove de Maio, fox-trot, inédito, s.d.; O que há?, tango, 1921; Odeon, tango (com letra de Vinicius de Moraes, 1968), 1910; Onze de Maio, quadrilha, anterior a 1908; Orminda, valsa, 1897; Ouro sobre azul, tango, 1916; Pairando, tango, 1920; Paraíso, tango (estilo milonga), inédito, 1926; Pássaros em festa, valsa lenta, 1922; Paulicéia, como és formosa!, tango, 1921; Pedro II (Escola), hino, inédito (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), 1920; Pereira Passos (Escola), hino, inédito (com letra de Leôncio Correia), s.d.; Perigoso, tango brasileiro, anterior a 1909; Pierrot, tango, 1915; Pingüim, tango brasileiro, inédito (sua última composição), 1932; Pipoca, polca, 1895; Pirilampo, tango, 1903; Plangente, tango brasileiro, 1925; Plus ultra, fox-trot, inédito, s.d.; Podia ser pior, tango, 1916; Polca para mão esquerda (vide Tango para mão esquerda); Polonaise, inédita, 1908; Por que sofre?, tango meditativo, 19211; Primo-rosa, valsa, inédita, s.d.; Proeminente, tango brasileiro, s.d.; Quebra-cabeças, tango, s.d.; Quebradinha, polca, 1899; Ramirinho, tango, 1896; Ranzinza, tango, 1917; Rayon d’or, polca-tango, anterior a 1889, Rebuliço, tango, 1912; Recordações do passado, valsa, inédita, s.d.; Remando, tango, 1896; Resignação, valsa lenta, inédita, 1930; Respingando, tango, inédito, s.d.; Ressaca, tango, inédito, s.d.; Retumbante, tango, 1910; Rio de Janeiro, canção cívica (in Canto orfeônico, 1o. volume) (com letra de Leôncio Correia), arranjada para três vozes por Villa-Lobos, s.d.; Rosa Maria, valsa lenta, inédita, 1930; Sagaz, tango brasileiro, 1914; Salve, nações reunidas, hino (in Brasil cantando, por frei Pedro Sinzig) (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), s.d.; Samba carnavalesco, peça manuscrita não identificada, s.d.; Sarambeque, tango, 1916; Saudade, valsa, 1913; Saudades dos pagos, marcha-canção, inédita (com letra de Maria Mercedes Mendes Teixeira), s.d.; Saudades e saudades, marcha, 1921; Segredo, tango, 1896; Segredos de infância, valsa, inédita, s.d.; Sentimentos d’alma, valsa, inédita, s.d.; Soberano, tango, 1912; Suculento, samba brasileiro (com letra de Netuno) (no riginal Tango carnavalesco), 1919; Sustenta a nota, tango, 1919; Sutil, tango brasileiro, s.d.; Talismã, tango, 1914; Tango-habanera, peça manuscrita não identificada, s.d.; Tango para mão esquerda, inédito (no original, figura na 1a. parte a designação Polca para mão esquerda), s.d.; Tenebroso, tango, 1908; Os teus olhos cativam, polca, 1883; Thierry, tango, 1912; Time is Money, fox-trot, inédito, s.d.; Topázio líquido, tango, 1914; Travesso, tango, anterior a 1910; Tudo sobe, tango carnavalesco (com letra de Ernesto Nazareth), s.d.; Tupinambá, tango, 1916; Turbilhão de beijos, valsa lenta, 1908; Turuna, grande tango característico, 1899; Vem cá, Branquinha, tango, 1910; Vésper, valsa, 1901; Vitória, marcha aos aliados, inédita (com letra de José Moniz de Aragão), 1918; Vitorioso, tango, 1913; Você bem sabe, polca-lundu (sua primeira composição), 1877; Xangô, tango, 1921; Zica, valsa, 1899; Zizinha, polca, 1899.

Fonte: Encyclopaedia Britannica do Brasil; Enciclopédia da Música Brasileira, Art Editora-PubliFolha, 1998; Ernesto Nazareth, Antologia, Ed. Arthur Napoleão Ltda; Nova História da Música Popular Brasileira, Abril Cultural, 1977.

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Oito Batutas

Posted by everbc em 03/07/2007

Conjunto musical organizado em 1919, quando Isaac Frankel, gerente do cinema carioca Palais, pediu a Pixinguinha que selecionasse alguns integrantes do Grupo do Caxangá para atuarem na sala de espera do cinema.

O grupo estreou em 7 de abril de 1919 e, em sua primeira formação, incluía Pixinguinha (flauta), China (canto, violão e piano), Donga (violão), Raul Palmieri (violão), Nelson Alves (cavaquinho), José Alves (bandolim e ganzá), Jacó Palmieri (pandeiro) e Luís de Oliveira (bandola e reco-reco), tocando repertório de maxixes, canções sertanejas, batuques, cateretês e choros.

Fez grande sucesso entre a elite carioca, trazendo pela primeira vez, para o centro da cidade, um conjunto popular que executava música brasileira, utilizando instrumentos até então só conhecidos nos morros e nos subúrbios. Até o aparecimento dos Oito Batutas, as orquestras de cinema apresentavam a chamada música fina: valsas vienenses e tangos de Ernesto Nazareth, que se exibia então no Cine Odeon, em frente ao Palais. Luís de Oliveira, falecido logo após a estréia, foi substituído por João Tomás. Nessa época, participaram da opereta Flor de tapuia, dirigida por Eduardo Vieira. A peça ficou meses em cartaz, até ser suspensa repentinamente, quando o maestro português fugiu com a partitura que escrevera para ela.
Alcançando grande popularidade, o conjunto apresentou-se em festas elegantes, exibindo-se, em setembro de 1920, para os reis da Bélgica, no piquenique da Tijuca oferecido pelo governo brasileiro aos visitantes. Além de excursões por São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, em 1921 o conjunto apresentou-se no elegante Cabaré Assírio, do Rio de Janeiro, acompanhando Duque e Gaby. Por influência de Duque, o milionário Arnaldo Guinle financiou uma viagem do grupo a Paris, França, possibilitando, assim, a primeira exibição de um conjunto de música popular brasileira no exterior.
Em janeiro de 1922, no navio Massilia, viajaram sete instrumentistas, pois os irmãos Palmieri e João Tomás desistiram, sendo substituídos por Feniano (pandeiro) e José Monteiro (cantor). Rebatizados por Duque, Les Batutas estrearam em Paris no Dancing Sheherazade, incluindo em seu repertório o samba Sarambá (de J. Tomás, com colaboração de Duque na versão para o francês). O sucesso foi imediato, e durante seis meses apresentaram-se com êxito no dancing.
Em fins de julho de 1922 voltaram ao Brasil para participar dos festejos da Exposição do Centenário da Independência. As influências do jazz, sofridas no exterior, tornaram-se logo evidentes, pela inclusão de saxofones, clarinetas e trompetes, pela utilização de arranjos instrumentais no estilo das jazz-bands e pelas alterações no repertório, que passou a incluir fox-trots, shimmys, ragtimes e outros ritmos estrangeiros da moda. Voltando a atuar no Cabaré Assírio, o grupo participou da revista Vila Paris, da companhia francesa Bataclan, que se apresentou pela primeira vez no Rio de Janeiro em 1922.
Ainda nesse ano, excursionaram pela Argentina com a seguinte formação: Pixinguinha (flauta e saxofone), João Tomás (bateria), China (violão e banjo), Donga (violão e banjo de seis cordas), J. Ribas (piano), Nelson Alves (cavaquinho) e José Alves (bandolim, banjo e ganzá). Além de apresentação no Teatro Empire, de Buenos Aires, o conjunto gravou dez discos na Victor Argentina: Meu passarinho (China) e Até eu! (Marcelo Tupinambá), sambas; Urubu (Pixinguinha) e Caruru (João Tomás e Donga), choros; Graúna (João Pernambuco), maxixe, e Me deixa serpentina! (Nelson Alves), polca; Pra quem é?… (J. Bicudo), maxixe, e Lá-ré (Pixinguinha), polca; Tricolor (Romeu Silva), maxixe, e Se papai souber (Romeu Silva), samba-maxixe; Ba-ta-clan (A. Treilesberk) e Lá vem ele (J. G. Oliveira Barreto), maxixes; Não presta pra nada (J. Bicudo), maxixe, e Nair (Aristides J. de Oliveira), polca; Já te digo (China e Pixinguinha) e Faladô (João Tomás), sambas; Três estrelinhas (Anacleto de Medeiros), choro, e Vira a casaca! (Joubert de Carvalho), marcha; Vitorioso (Gaudio Vioti), marcha, e Até a volta (Marcelo Tupinambá), tanguinho.
Voltaram em 1923 e, nesse mesmo ano, sua constituição começou a variar, chegando a contar com doze elementos. Havia começado a época das grandes orquestras no estilo das jazz-bands norte-americanas, e o grupo passou a se apresentar mais raramente. Depois, foram organizados conjuntos e orquestras incluindo elementos dos Batutas. Na Odeon, por exemplo, o nome do conjunto foi utilizado em gravações realizadas por volta de 1928, muitos anos depois da dissolução do grupo primitivo.
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Os Oito Batutas em sua formação original: Jacob Palmieri, Donga, José Alves Lima, Nélson Alves, Raúl Palmieri, Luiz Pinto da Silva, China e Pixinguinha.
A epopéia dos Batutas
No Carnaval de 1921 o grupo foi atração no desfile do Tenentes do Diabo, cantando em cima de um carro alegórico. Tudo isso chamou a atenção do bailarino brasileiro Duque – Antônio Lopes de Amorim Diniz – que dançando o maxixe com a francesa Gaby era a sensação de Paris e que convenceu Arnaldo Guinle a financiar a viagem dos Batutas para uma temporada na capital francesa.
Em 29 de janeiro de 1922, com sete elementos e rebatizado como Les Batutas, um modificado grupo embarcou rumo à Europa, para se apresentar no Dancing Scheherazade, em Paris. As mudanças aconteceram porque os irmãos Palmieri e Luiz Pinto desistiram da viagem. Em seus lugares entraram Sizenando Santos (pandeirista), José Monteiro (cantor e ritmista) e J. Thomaz (ritmista).
Na última hora Thomaz não viajou e assim o grupo virou Les Batutas ou L’ Orquestre des Batutas. Mais uma vez a imprensa se divide, torcendo o nariz por ver o Brasil representado por negros e “música de gentinha”, ou elogiando a oportunidade da Europa conhecer o que se fazia no país em termos de música popular, por intermédio de um grupo extremamente talentoso.
Foram seis meses de sucesso em Paris, onde uma parceria entre Duque e Pixinguinha garantia no mais puro francês: “Nous sommes batutas,/ Batutas, batutas / Venus du Brésil / Ici tout droit / Nous sommes batutas,/ Nous faisons tout le monde / Danser le samba / Le samba se danse / Touj ours en cadence / Petit pas par ci / Petit pas par là / Il faut de l’essence / Beaucoup d’elegance / Le corps se balance / Dansant le samba”.
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Em 24 de setembro de 1920, os Oito Batutas, ainda antes de Paris: Pixinguinha, Raul Palmieri, José Alves, China, Jacó Palmieri, Luiz de Oliveira, Donga, Nélson Alves com o empresário, José Segreto.

De retorno ao Rio, os Batutas voltaram a ser oito (embora em algumas fotos apareçam nove elementos, sendo o nono o empresário) e desfrutaram da projeção internacional com apresentações no Jockey Club e no Teatro Lírico, na companhia de revista francesa Ba-Ta-Clan, no espetáculo Vila Paris. Eram o grande destaque musical do pais quando embarcaram, em novembro de 1922, para temporada em Buenos Aires.
Novamente modificado – ficaram Pixinguinha, China, Donga, Nélson Alves e José Alves, e entraram J. Thomaz (bateria), Josué de Barros (violão) e J. Ribas (piano) -, o êxito da Europa se repetiu. 0 grupo gravou dez discos na Victor argentina, antes de se desentender, depois do que quatro de seus integrantes retornaram ao Brasil.
Pixinguinha, China, Josué e Ribas tentaram sobreviver com shows no interior do país, mas a penúria foi tal que Josué de Barros teve de bancar o faquir em Río Cuarto, enterrado vivo. Foi salvo pela piedade da mulher do chefe da polícia, que interrompeu a exibição. Repatriados pela embaixada, voltaram ao Brasil para seguir carreiras independentes, já que Os Oito Batutas qual trágico tango – “morreram” na Argentina.
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Os Oito Batutas durante a excursão a Argentina, em 1923. Essa viagem precipitaria o fim do grupo que, em solo portenho, teve que se apresentar em espetáculos mambembes para conseguir dinheiro para voltar para o Brasil: enganados pelo empresário que fugira com o lucro das bilheterias.

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