recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Posts Tagged ‘bittencourt sampaio’

Quem sabe?

Posted by everbc em 04/08/2007

Carlos Gomes ficou reconhecido internacionalmente como compositor de óperas. O que pouca gente sabe é que ele compôs a partir de um universo bastante diversificado, bem próprio de seu estilo, influências e contexto histórico. No seu repertório encontramos música sacra, modinhas, cantatas e operetas. Quando ouvimos suas modinhas nos lembramos de sua origem interiorana, das festas de salões em volta do piano, dos saraus lítero-musicais tão freqüentes no Rio e São Paulo do século XIX.

Nas modinhas e canções de Carlos Gomes encontramos um pouco do lirismo francês e muito dos tons humorísticos das canções italianas, sobretudo a forte presença do estilo verdiano, tão em voga no ensino musical da época. Da sua primeira fase, ainda como estudante de música, destacamos os títulos mais famosos: Hino acadêmico e Quem Sabe? ambas de 1859. A grande parte dos textos musicados por Carlos Gomes eram de caráter romântico, realçando o estilo melodramático, típico das árias de salão.

Quem sabe? – Carlos Gomes e Bittencourt Sampaio clique para ouvir amostra da música

———C ——————————————————-G7
Tão longe de mim distante / Onde irá, onde irá teu pensamento
—————————————————————–C
Tão longe de mim distante / Onde irá, onde irá teu pensamento
—–E7————– Am—— G7———– C
Quisera, saber agora / Quisera, saber agora
————–F————– C———- G7————— C
Se esqueceste, se esqueceste / Se esqueceste o juramento.
———–G————— D7——————————– G
Quem sabe se és constante / Se ainda é meu teu pensamento
———–G7———– C————- D7—————————- G G7
Minh’alma toda devora / Dá a saudade dá a saudade agro tormento
———C——————————————————- G7
Tão longe de mim distante / Onde irá onde irá teu pensamento
—————————————————————–C
Quisera saber agora / Se esqueceste se esqueceste o juramento.

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Bittencourt Sampaio

Posted by everbc em 05/07/2007

Bittencourt Sampaio (Francisco Leite de Bittencourt Sampaio), poeta, violonista e cantor, nasceu em Laranjeiras, província de Sergipe. Estudou Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo.
Sabe-se que gostava de fazer experiências de magia branca nas “repúblicas” ou casas de família, distraindo a todos com sua alegria e bom-humor. Promovia saraus literários e musicais e gostava de acompanhar-se ao violão. Fez carreira política, chegando a administrar a província do Espírito Santo. Foi também diretor da Biblioteca Nacional. Escreveu em diversos periódicos da época, entre eles, a “República”. Faleceu, no Rio de Janeiro, a 10 de outubro de 1895.
Autor da letra do famoso “Hino Acadêmico” da Faculdade de Direito. É dele também a letra de uma das modinhas mais conhecidas do Brasil: Quem sabe? (Tão longe de mim distante). Ambas em parceria com o maestro Carlos Gomes. Representante do romantismo literário no Brasil. O “Hino acadêmico” foi gravado em 1974, em versão instrumental, Editora Três – Companhia Brasileira de Discos Phonogram (Detsche Grammophon 2.530.506-B, 3).
Hino Acadêmico – Música de Carlos Gomes e letra de Bittencourt Sampaio
“Sois da Pátria a esperança fagueira, / Branca nuvem de um róseo porvir;
Do futuro levais a bandeira, / Hasteada na frente a sorrir.
Mocidade, eia avante, eia avante! / Que o Brasil sobre vós ergue a fé;
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!
0 Brasil quer a luz da verdade, / E uma c’roa de louros também,
Só as leis que nos dêem liberdade, / Ao gigante das selvas convém!
Vossa estrela reluz radiante, / Oh! erguei-a vós todos, com fé,
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!
É nas letras que a Pátria querida / Há de um dia, fulgente, se erguer,
Velha Europa, curvada e abatida, / Lá de longe que inveja há de ter!
Nós iremos marchando adiante, /Acenando o futuro com fé,
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!
Orgulhoso o bretão lá dos mares / Respeitar-nos então há de vir,
São direitos sagrados os lares, / Nunca mais ousarão nos ferir.
Auriverde pendão fulgurante / Hasteai-o, mancebos, com fé!
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!
São imensos os rios que temos, / Nossos campos quão vastos que são!
As montanhas tão altas, que vemos, / De um futuro bem alto serão.
0 futuro não vai mui distante, / Já podeis acená-lo com fé,
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!
Nossos pais nos legaram guerreiros, / Honra a glória, virtude e saber;
Nós os filhos de pais brasileiros, / Pela Pátria devemos morrer!
Mocidade eia avante, eia avante! / Que o Brasil sobre vós ergue a fé!
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!”

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