recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Posts Tagged ‘tupinamba’

O cigano

Posted by everbc em 12/08/2007

Nem só de música sertaneja se constitui a obra de Marcelo Tupinambá. Um bom exemplo de seu lado cosmopolita é “O Cigano”, uma das primeiras composições brasileiras a receberem a designação de fox-canção. Seguindo a moda de músicas sobre motivos exóticos, que imperava na época, Tupinambá fez em estilo andaluz esta canção, que trata da transitoriedade do amor, através do canto de um misterioso cigano.

Com uma bela melodia (que lembra a composição Oriental, de Patápio Silva) vestindo esta fantasia de gosto duvidoso, O cigano fez sucesso em 1924, quando foi gravado por Vicente Celestino, e 22 anos depois, ao ser revivido por Francisco Alves. Até então, segundo Tupinambá, as edições impressas da canção já haviam vendido mais de cem mil exemplares, o dobro de O matuto, seu segundo maior sucesso. Gastão Barroso, que assina a letra com o pseudônimo de João do Sul, era um amigo de Tupinambá desde os tempos de mocidade.

O Cigano (fox-canção, 1924) – Marcelo Tupinambá e João do Sul clique para ouvir amostra da música

Um dia, / Eu em Andaluzia, / Ouvi, um cigano a cantar, / Havia, / No canto a nostalgia, / De castanholas batidas ao luar, / Mas era, / A canção tão singela, / Que eu julguei para mim, / E agora, / Que minh’alma te chora, / Ouve bem, a canção que era assim :

O amor, / Tem a vida da flor, / Não sonhe alguém, / Do seu sonho o colher… / Pois bem, / Como acontece à flor, / O lindo amor, / Principia a morrer.

Cigano, / Que sabias o engano, / Por que me fizeste tão mal? / Não fora, / A canção traidora, / E o meu sonho seria eternal! / Quem há de fugir, / A realidade, / Vem desmentir a ilusão? / E hoje, / Que o teu beijo me foge, / Cantarei, / Do cigano, a canção!

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Tristeza de caboclo

Posted by everbc em 07/08/2007

Tristeza de Caboclo é um tanguinho, a primeira música que Marcelo Tupinambá compôs sob o contrato com Campassi & Camin, editores de São Paulo.
Com letra de Arlindo Leal, ela se tornou um sucesso instantâneo, vendendo o número fenomenal de 120.000 partituras para piano em um ano.

Tristeza de Caboclo (1919) —–clique para ouvir amostra da música

– Letra de Arlindo Leal e música de Marcelo Tupinambá
Quando na roça anoitece / Fico sempre a meditá!.. / (Coro) Fica sempre a meditá!… (bis) / Meu coração, que padece, / Não me deixa sossegá!… / (Coro) Não o deixa sossegá!.. (bis)
Estribilho: Minh’arma, com fervô, / Quando ha lua / Chora o seu amo / E sem podê se aconsolá / Garra logo a suspirá!… / (Coro) Quem ama, com fervô, etc.

Meu coração, com tristeza, / Quando surge o bom luá. / (Coro) Quando surge o bom luá… (bis) / Sabe, com muita firmeza, / Seus queixumes disfarçá!… / (Coro) Seus queixumes disfarçá!.. (bis)

Estribilho: Minh’arma, com fervô, etc.

Quem sabe amá, com ternura, / Nunca deixa de sonhá… / (Coro) Nunca deixa de sonhá! (bis) / Não sofre a negra amargura / Que me anda a acabrunhá! (Coro) Que o anda a acabrunhá!.. (bis)

Estribilho: Minh’arma, com fervô, etc.

Quando eu pego na viola, / Com vontade de cantá, / (Coro) Com vontade de cantá!… (bis) / Meu coração se aconsola, / Alliviando seus pená!…/ (Coro) Alliviando seus pená!… (bis)</div

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O matuto

Posted by everbc em 07/08/2007

A partir de meados dos anos dez, a música rural paulista saiu do âmbito regional, espalhando-se pelo país. Para isso foi decisivo o trabalho do compositor Marcelo Tupinambá, estilizador do gênero. Com toadas, cateretês e tanguinhos – preferia usar o diminutivo para diferenciar seus tangos dos de Ernesto Nazareth -, ele reinou no meio musical até o início da década de vinte.

Um de seus maiores sucessos é o cateretê O matuto, em que conta o desejo de um cearense desgarrado de voltar à sua terra: “Pro sertão do Ceará / tomara já vortá / tomara já vortá…”. A escolha de um tema como este, ligado a outro estado, parece indicar uma aspiração do autor a se popularizar além das fronteiras paulistas.
Natural de Tietê, filho de uma família de músicos, Marcelo Tupinambá chamava-se realmente Fernando Lobo, tendo adotado o pseudônimo em razão dos preconceitos que existiam na época contra a música popular. A mudança de nome aconteceu por volta de 1915 em conseqüência do sucesso do maxixe São Paulo Futuro, de sua autoria. Ele contava que na ocasião, cursando a Escola Politécnica de São Paulo, onde se formou no ano seguinte, foi chamado ao gabinete do diretor Paula Souza, que o censurou: “Não permito que aluno meu ande fazendo maxixes. Quem vai confiar num engenheiro que faz maxixes?”. Depois desta advertência, Fernando Lobo virou Marcelo Tupinambá.
O matuto (Canção Cearense) – 1918 – versos de Cândido Costa e música de Marcelo Tupinambá
Quando foi da meia-noite para o dia, / que eu deixei com cortezia / minha terra, o Ceará / as foias véias já cabia pela estrada, / vim marchando na picada / só na seca a matutá:

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá… / Tomára eu já vortá… (bis)

No cemiterio os mortos se alevantaram / uns aos outros perguntaram / que qu’eu havéra de querê? / nas catacumba os defunto té gemia / no céo as coruja ria / Eu mesmo não sei porquê…

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá… / Tomára eu já vortá… (bis)

As santas fêmea, na igreja já chorava / os santos macho só me oiava / com cada ôio assim! / Até os gallo e as gallinha não sabia / de corrê p’ra onde havia / tudo com medo de mim!

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá… / Tomára eu já vortá…. (bis)

Quando eu cheguei dessa viagem cá no Rio / foi qu’antão logo se viu / qu’é qu’eu vinha cá fazê: / eu fui chamado só p’ra sê o presidente / desta terra, desta gente / sê o rei de vosmucês

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá… / Tomára eu já vortá… (bis)

Logo o povo, muito amavo, foi dizendo / o dote qu’eu ia tendo: / o Pará, França, o Japão, / um iscalé com doze remo e vinte peça / mas abanei co’a cabeça / dizendo “Não quero, não!”

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá… / Tomára eu já vortá… (bis)

Agora vorto p’r’o meu ceará querido / sinão fico home perdido / é mió eu i p’ra lá! / Quero i m’imbora e hei de i até a nado / sinão fico avaccaiado / como todo mundo está!

Pro sertão do Ceará / Tomára eu já vortá… / Tomara eu já vortá…

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