recordando a MPB

História da MPB com biografias, cronologia dos sucessos e músicas cifradas.

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Archive for the ‘casa edison’ Category

>Perdão, Emília

Posted by everbc em 28/03/2006

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Primeira modinha gravada em 1902 pela Casa Edison. Almirante no programa “O Pessoal da Velha Guarda” de 13 de março de 1952 afirmava: “Entre as velhas e mais plangentes modinhas do Brasil figura a célebre “Perdão Emília”, soturna cantiga que foi [flor?] pelo Brasil afora no tempo das serenatas. Jamais se apurou quem a escreveu. Aproveitando-se dessas circunstâncias, um cantor paulista apossou-se dela, gravando-a em discos com o seu nome. É uma desfaçatez, que foi uma nódoa na decência da profissão de autores e de cantores nessa terra.

“Perdão Emília”, segundo informação de antigos ouvintes, informações a que dão curso sem apoiar ou desapoiar, foi composta por um português chamado José Henrique da Silva, que residiu longo tempo em São João da Barra. Foi escrita há 63 anos, em 1889, quando o seu autor contava 24 anos de idade. Isso, repito, é a informação de um ouvinte que nos deu por carta, e que jamais pudemos apurar.”

Perdão, Emília (modinha, 1889) – José Henrique da Silva e Juca Pedaço

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Paraguassu

Já tudo dorme, vem a noite em meio, a turva lua se surgindo além: / Tudo é silêncio; só se vê nas campas, piar o mocho no cruel desdém. / Depois, um vulto de roupagem preta, no cemitério com vagar entrou. / Junto ao sepulcro, se curvando a medo, com triste frase nesta voz falou:

“Perdão, Emília, se roubei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado… / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado.” / “Monstro tirano, por que vens agora, lembrar-me as mágoas que por ti passei? / Lá nesse mundo em que vivi chorando, desde o instante em que te vi e amei.

Chegou a hora de tomar vingança, mas tu, ingrato, não terás perdão… / Deus não perdoa as tuas culpas todas, / Castigo justo tu terás, então. / Perdi as flores da capela virgem, / Cedi ao crime, que perdão não tinha, mas, tu, manchaste a minha vida honesta, / Depois, zombaste da fraqueza minha…

Ai, quantas vezes, aos meus pés, curvado, davas-me prova de teu puro amor. / Quando eu julgava que fosses um anjo, não via fundo nesse olhar traidor. / Mas vês agora, que o corpo em terra tombou, de chofre, sobre a lousa fria.”

E quando a hora despontou, na lousa um corpo inerte a dormitar se via: / “Perdão, Emília, se manchei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado… / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado.”….

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>A Casa Edison

Posted by everbc em 14/03/2006

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Frederico Figner

13 de novembro de 1889. Na presença do imperador D. Pedro II, da princesa Isabel e seu marido, o conde D’Eu, um de seus filhos, o príncipe do Grão-Pará, falou e o outro, o príncipe D. Pedro Augusto, solfejou. Era a primeira gravação de sons feita no Brasil, ao ser apresentado à Corte o grafofone (modelo mais avançado de Thomas Edison para seu gramofone). Portanto, D. Pedro Augusto foi o primeiro brasileiro a ter sua voz gravada, cantando.

O Brasil foi dos primeiros países a ter a novidade do final do século XIX – a máquina que aprisionava sons -, já que em 1878, um ano apenas depois de ter registrado sua invenção, Edison receberia autorização do imperador para comercializar a aparelho no país.

A princípio a coisa foi atração de feira, circense, teatral, sendo exibida por camelôs onde encontrassem espaço para reunir meia dúzia de embasbacados cidadãos dispostos a pagar um níquel para ver e ouvir aquela incrível máquina falante. Saída das páginas da ficção registraria poderosa influência na cultura de todos os povos.

Em 1900: anúncio das últimas novidades em aparelhos

No Brasil o primeiro a se interessar comercialmente pelas máquinas falantes foi o imigrante tchecoslovaco, de origem judaica, Frederico Figner. Menino, emigrou para os Estados Unidos e lá, já adulto, ao tomar conhecimento da invenção, que ainda funcionava de forma primitiva com rolos de cera e deixava de ser curiosidade para se transformar em atividade comercial, comprou um fonógrafo, com alguns rolos de cera, e saiu a exibi-los pelas Américas. De volta àquele país resolve explorar um mercado virgem e parte rumo ao Brasil, onde entra por Belém do Pará no final de 1891. Percebendo o sucesso de suas apresentações, envereda pelo Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia e dá com os costados no Rio de Janeiro, em abril de 1892.

Instala-se na Rua do Ouvidor, 135, com sua “machina que falla”, como anunciavam os jornais, sem saber que iria interferir profundamente na cultura popular do país que escolhera ao acaso para ganhar dinheiro.


Das sessões diárias para a apresentação da novidade até perceber a mina de ouro, Fred Figner – como se tornou conhecido – foi um passo. Importa e comercializa aparelhos e cilindros que vendem como água, pois eram encontrados com vários preços, acessíveis e sofisticados. Com a sua famosa Casa Edison era o dono absoluto do mercado.

Mas, nos últimos anos do século XIX, começa a enfrentar concorrência e sua criatividade é chamada para manter a liderança. Até então se vendiam cilindros de música estrangeira, importados. Fred convida os cantores Cadete (Antonio da Costa Moreira) e Bahiano (Manuel Pedro dos Santos) para gravar fonogramas brasileiros, ganhando um mil-réis por cilindro. Mais tarde o palhaço Eduardo das Neves (Dudu), famoso por seus lundus e canções, veio juntar-se à dupla. Com isso o pioneirismo foi acrescido à biografia de Fred Figner, o de profissionalizar a música popular no Brasil.

Em 1904 entra no mercado o gramofone, com discos de cera cuja reprodução do som era feita através de uma agulha metálica presa a um diafragma de mica, que Émile Berliner lançara. Fred Figner garante para si, através de contrato com a International Zonophone Company, o direito de fabricação de chapas prensadas dos dois lados, o disco, que em muito pouco tempo eliminaria o sistema de gravações por cilindro. Surgem as séries Zon-O-Phone 10.000 e X-1000 que podem ser consideradas as primeiras do disco brasileiro. 
O sistema de gravação era mecânico, obrigando o intérprete a cantar gritado na boca de uma enorme corneta. O “técnico de som” tinha que empurra-lo à frente pelos ombros nas notas graves, ou puxa-lo para longe, nas notas agudas. Quando gravavam bandas ou conjuntos, os músicos se amontoavam na frente do “microfone”. Depois da gravação, a cera era enviada para a Alemanha e voltava transformada em disco seis meses mais tarde.

O enorme repertório do cantor Bahiano na Edison

Mais tarde Figner fundou filiais em São Paulo e Porto Alegre, montando um estúdio na capital gaúcha, onde registrou artistas locais como o cantor modinheiro Xiru e o grupo de choro Terror dos Facões.

Em 1911, associando-se à Odeon, pertencente à firma holandesa Transoceanic, Figner importa o equipamento da Alemanha e instala no Brasil a primeira fábrica de discos, a Odeon, no bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, e mantém a liderança até 1924, quando a Victor Talking Machine cria o processo de gravação elétrica, do qual o cantor Francisco Alves seria o pioneiro no Brasil em 1927.

Em 1930, a Transoceanic obrigou Figner a vender todo o patrimônio da Casa Edison, dominando, a partir de então, o processo de gravação no Brasil, ao lado de outras multinacionais, como a Columbia e a RCA Victor. Com 40 mil títulos lançados ao longo de 28 anos, a Casa Edison marca a etapa heróica da gravação de discos no Brasil. A empresa funcionou até os anos 50, mas mudou de ramo: abandonando as máquinas falantes, passou a comercializar mimeógrafos e máquinas de escrever.

Fontes: Construindo o Som e História do Samba – Ed. Globo

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>Mário Pinheiro

Posted by everbc em 09/03/2006

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Mário Pinheiro, cantor, nasceu em Campos RJ (1880) e faleceu no Rio de Janeiro RJ, em 10/1 /1923. Estreou como palhaço de um circo do bairro carioca da Piedade. Passou depois a atuar como cantor, sendo logo contratado com exclusividade por Fred Figner, fundador e proprietário da Casa Edison, do Rio de Janeiro.

Com Bahiano, Cadete, Nozinho e Eduardo das Neves, formou o quadro de cantores profissionais que realizaram as primeiras gravações de discos de gramofone no Brasil, iniciadas em 1902.

Sua dicção impecável levou-o a tornar-se o principal anunciador de discos da Casa Edison. Contratado pela Victor norte-americana, esteve nos E.U.A. e Itália, onde estudou canto, chegando a cantar no Teatro Alla Scala, de Milão. Voltou ao Brasil como baixo-cantante de uma companhia lírica.

Representando Tapir na ópera Moema, de Delgado de Carvalho, fez parte do programa de inauguração do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, a 27 de julho de 1909.

Sua discografia, a mais extensa realizada por qualquer cantor de sua época, inclui gravações que vão de 1902 a 1919, para as etiquetas Odeon-Record, Columbia, Phonograph e Victor Record. Com o soprano Zola Amaro, cantou em 1920, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, a ópera Condor (Carlos Gomes).

Detentor de grandes sucessos da música popular brasileira das duas primeiras décadas do século, entre suas interpretações destacam-se Ai, Maria (Edi Capua, versão de Russo), canção; Ao som da viola, desafìo; O boêmio (Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense), tango; A brisa dizia à rosa, canção; Canção mineira, dueto; Na casa branca da serra (Miguel Emídio Pestana e Guimarães Passos), modinha; A casaca do homem, lundu; Casinha Pequenina (domínio público), canção; Clélia (Luís de Sousa e Catulo da Paixão Cearense), modinha; De Marília os lindos olhos, modinha; É loucura, meu anjo, modinha; Gentil Maria, modinha; Gondoleiro do Amor, modinha; As horas que passo, modinha; Isto é bom, lundu; Luar do Sertão (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense), toada; Lundu infernal, lundu; Minha viola, toada; Mulata vaidosa, lundu; Nas horas mortas da noite, modinha; Ó pálida madona, modinha; Os olhos de Marília, modinha; Perdão Emília, modinha; Pierrot, canção; Pinica-pau, chula; Por um beijo, modinha; Primeiro amor, modinha; Quando morre o amor, valsa; Quando o meu peito, modinha; Quitutes, lundu; O rouxinol, modinha; Sertanejo enamorado, tango; Sô angu, lundu; Sou teu escravo, modinha; Stella, modinha; Talento e formosura (Edmundo Otávio Ferreira e Catulo da Paixão Cearense), modinha; e Teu pé, modinha.

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